Israel e Irlanda se enfrentam neste domingo (27), às 15h45 (de Brasília), na Hungria, pela segunda rodada do Grupo 3 da Liga das Nações B. A partida ocorre em meio a boicotes, protestos e medidas de segurança reforçadas motivados pela guerra em Gaza.
Os confrontos entre as seleções geram controvérsia desde o sorteio dos grupos, realizado pela Uefa em fevereiro. Com histórico de apoio à causa palestina, a Irlanda registrou protestos de torcedores e pedidos para que os jogos contra Israel fossem boicotados.
Uma pesquisa divulgada pelo site The Journal em junho apontou que 56% dos irlandeses apoiavam o boicote. Entre os que se identificam como torcedores de futebol, o índice chegou a 75,6%, segundo levantamento da Associação de Torcedores de Futebol da Irlanda.
A Associação de Jogadores Profissionais da Irlanda informou que 63% dos atletas eram contrários à realização das partidas. Clubes da primeira divisão e mais de 160 esportistas também assinaram uma carta do grupo Esporte Irlandês pela Palestina em defesa do boicote.
A Federação Irlandesa de Futebol decidiu manter o jogo por receio de punições da Uefa, mas transferiu a partida de 4 de outubro, que seria disputada em Dublin, para Backa Topola, na Sérvia. O confronto será realizado com portões fechados, e os dois jogos terão segurança reforçada.
O goleiro reserva Gavin Bazunu não será relacionado para as partidas. Ele afirmou que sua decisão se baseia em convicções pessoais contra a morte de civis e ressaltou que sua posição não é contra o povo israelense ou a comunidade judaica.
O meia Jason Knight também declarou que os jogos não deveriam ocorrer, mas será convocado. Os jogadores irlandeses planejam usar braçadeiras pretas, evitar o cumprimento aos atletas israelenses e não conceder entrevistas.
A tensão aumentou depois que o técnico da Irlanda, Heimir Hallgrímsson, disse que a equipe não jogaria com o genocídio, mas contra ele. A Associação de Futebol de Israel classificou a declaração como ignorante, hipócrita e estúpida, enquanto o primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, defendeu o treinador.
Hallgrímsson posteriormente afirmou ter usado uma palavra errada, mas manteve as críticas ao que ocorre em Gaza. Após a confirmação da participação irlandesa, a associação israelense declarou que o futebol havia vencido e defendeu a separação entre futebol e política.
Fonte: O Globo