Felipe Nunes, diretor da Quaest, afirma que a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro chega à última semana com os dois candidatos no mesmo patamar de intenção de voto registrado em abril, mas com parcela significativa do eleitorado ainda aberta a mudanças até 4 de outubro.
Em artigo publicado pelo jornal O Globo, Nunes avalia que a estabilidade dos números gerais não significa imobilidade. Segundo ele, houve troca de votos entre candidatos, indecisos e eleitores que pretendem votar nulo ao longo da campanha.
De acordo com o diretor da Quaest, cerca de 10% dos eleitores não se identificam com nenhum dos dois polos principais. Esse grupo, afirma, concentra boa parte do potencial de mudança em uma eleição marcada pelo equilíbrio.
Na pesquisa espontânea, em que os entrevistados não recebem uma lista de candidatos, aproximadamente um terço do eleitorado ainda não sabe em quem votar para presidente. Na modalidade estimulada, a indecisão é menor, mas varia entre os estados.
Nunes aponta que a indecisão é menor no Nordeste, onde Lula lidera, e quase dobra no Sudeste e no Sul. Para ele, o Sudeste é o principal campo de disputa e concentra o eleitorado menos cristalizado.
O artigo cita três fatores que podem influenciar a reta final: o pacote do governo voltado às mulheres, o chamado voto útil e o debate da Globo. As medidas anunciadas incluem ações contra as bets, ampliação do acesso a medicamentos para emagrecimento e aumento do Bolsa Família.
Segundo Nunes, parte dos eleitores de Cury, Caiado, Renan e Zema pode migrar para Lula ou Flávio Bolsonaro para evitar a vitória do candidato que mais rejeita. Ele também afirma que as últimas rodadas da pesquisa Quaest já indicam sinais de voto útil, embora ainda exista espaço para mudanças.
O debate da Globo, previsto para o horário nobre, é apontado como outro possível fator de mobilização. Na avaliação do diretor da Quaest, a transmissão pode alcançar eleitores menos envolvidos com a campanha, especialmente mulheres mais velhas e de menor escolaridade, grupo que costuma acompanhar novelas e tende a decidir o voto mais tarde.
Fonte: O Globo