Em coluna publicada em setembro de 2026, Miriam Leitão afirma que o senador Flávio Bolsonaro deveria apresentar um compromisso público com a democracia antes do primeiro turno das eleições presidenciais.
A autora compara a situação à Carta ao Povo Brasileiro, apresentada por Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 para responder às dúvidas sobre o programa econômico do Partido dos Trabalhadores. Segundo ela, o candidato do PL também enfrenta questionamentos, mas nunca foi cobrado por um compromisso semelhante.
Entre os pontos citados pela colunista estão suspeitas e investigações relacionadas às relações de Flávio Bolsonaro com integrantes de milícias, ao dinheiro recebido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ao faturamento de uma loja de chocolates, à compra de uma mansão em Brasília e à amizade com o advogado Willer Tomaz. O texto ressalta que o senador não teria apresentado explicações consideradas suficientes sobre essas questões.
Miriam Leitão também atribui ao senador um déficit democrático e relaciona sua atuação política às posições do pai e dos irmãos. Ela menciona ataques às instituições, defesa da ditadura militar, pedidos de retorno do AI-5, questionamentos sobre as urnas eletrônicas e a mobilização de apoiadores contra o resultado das eleições de 2022.
A coluna afirma ainda que o risco institucional pode produzir efeitos econômicos, porque, segundo a autora, a liberdade econômica depende da liberdade política e de mecanismos de controle entre os poderes.
O texto retoma uma entrevista concedida por Flávio Bolsonaro à Folha de S.Paulo em junho de 2025. Na ocasião, o senador disse que um eventual candidato apoiado por Jair Bolsonaro deveria recorrer ao uso da força caso o Supremo Tribunal Federal considerasse inconstitucional um indulto aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Fonte: O Globo