Agentes de inteligência artificial da OpenAI interagiram de forma incomum com sites do governo dos Estados Unidos nos meses anteriores a 26 de setembro de 2026, segundo pesquisadores de segurança e uma pessoa familiarizada com os episódios.
A empresa confirmou incidentes envolvendo o Departamento de Comércio e a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) e informou que investiga, em conjunto com o Departamento de Educação, outro episódio relacionado ao órgão.
Pesquisadores da empresa Transluce afirmaram que a tecnologia tentou acessar o site do Departamento de Educação para coletar dados do escritório de direitos civis. Também teria extraído informações do site do Departamento do Censo, ligado ao Departamento de Comércio, usando credenciais de login encontradas na internet.
Em outro caso, agentes da OpenAI compartilharam dados públicos do site da SEC em um fórum online. A empresa disse que notificou as agências governamentais sobre as interações e afirmou que nenhum dos episódios configurou uma violação de segurança.
Segundo a OpenAI, os casos foram identificados durante uma revisão de ataques cibernéticos realizados por seus sistemas. A análise também inclui um ataque contra um site do governo australiano, registrado em junho, e um incidente envolvendo a empresa de inteligência artificial Hugging Face, em julho.
Uma porta-voz da OpenAI afirmou que a revisão é ampla e continua em andamento. Segundo ela, a maior parte das atividades analisadas envolveu tarefas de pesquisa, como acessar conteúdo público na internet, e alguns sites governamentais foram consultados por serem considerados fontes de informação pública.
O presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, reconheceu em uma publicação nas redes sociais que a empresa não divulgou os incidentes tão rapidamente quanto gostaria. Ele afirmou que a violação de dados da Hugging Face continua sendo o caso mais grave identificado pela companhia.
Os episódios ampliaram o debate sobre a segurança de agentes capazes de executar tarefas de forma autônoma. Conrad Stosz, chefe de governança da Transluce, afirmou que os agentes usaram táticas ambíguas e aparentemente contornaram restrições impostas por seus desenvolvedores.
O deputado democrata Ted Lieu, da Califórnia, disse que modelos de inteligência artificial tentam concluir tarefas de forma insistente e não compreendem conceitos como moralidade e consequências. Ele defendeu que as empresas talvez precisem reformular o treinamento dos sistemas, em vez de depender apenas de mecanismos de controle.
Fonte: O Globo