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sábado, 26 de setembro de 2026

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JUSTIÇA

Mensagens indicam que empresário consultava “Primo” na compra da Terrana

Mensagens analisadas pelo Gaeco indicam que empresário consultava investigado durante a compra da distribuidora Terrana.

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Mensagens apreendidas pelo Ministério Público de São Paulo indicam que o empresário Paulo Narcélio Simões do Amaral consultava Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, durante a aquisição da distribuidora de combustíveis Terrana. A apuração aponta que Narcélio aparecia formalmente como comprador, enquanto decisões relevantes seriam submetidas a Mourad e a Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”.

Os diálogos foram analisados pelo Gaeco no âmbito da Operação Crédito Oculto, terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada em 24 de setembro de 2026. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão contra 13 pessoas físicas e 19 empresas em sete estados para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.

Segundo a investigação, um grupo de WhatsApp chamado “Novo direção Terrana” reunia integrantes da gestão financeira, contábil e administrativa da distribuidora. As conversas sugerem, de acordo com o Ministério Público, que Mourad acompanhava a reestruturação da empresa após a compra e orientava decisões sobre a operação.

Em uma das mensagens, Narcélio teria afirmado que era necessário manter a aparência de que a Terrana havia sido adquirida por ele. Para os investigadores, o registro reforça a suspeita de que o empresário funcionava como comprador formal, enquanto outras pessoas exerciam influência efetiva sobre a administração.

A investigação também cita uma conversa em que Narcélio demonstra preocupação após reportagens relacionarem a aquisição da Terrana a Mourad, Beto Louco e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Ao encaminhar uma notícia a Humberto Tupinambá, então ligado ao Banco Genial, ele escreveu que o caso era uma “cagada” e afirmou que “o primo está mais nervoso que eu”.

De acordo com o Gaeco, Berna Holdings e Branson Holdings foram abertas em setembro de 2024, cada uma com capital social de R$ 1 mil, para intermediar a aquisição. A estrutura financeira teria envolvido o fundo Radford, administrado pelo Banco Genial, a Usina Itajobi e transferências que somaram R$ 100 milhões, além de outros R$ 20 milhões enviados pela Entre Investimentos.

A Receita Federal informou que a operação investigada usou banco, fundos, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada para afastar os recursos dos supostos financiadores e beneficiários da compra. Segundo o órgão, uma empresa financeira relacionada à estrutura movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025.

O Banco Genial afirmou que Humberto Tupinambá deixou de ser diretor e sócio da instituição em maio de 2026. A instituição declarou que forneceu informações ao Gaeco, comunicou operações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), abriu investigação interna, revisou seus controles e renunciou à administração do fundo Radford após a deflagração da operação.

As suspeitas ainda são objeto de investigação, e os citados não foram condenados. Beto Louco e Mourad são apontados pelo Ministério Público como líderes do grupo investigado e estão foragidos, segundo as informações divulgadas sobre a operação.

Fonte: G1

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