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sábado, 26 de setembro de 2026

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JUSTIÇA

Mensagens indicam que empresário consultava investigado durante compra da Terrana

Mensagens analisadas pelo MPSP indicam que empresário consultava investigado durante a compra da distribuidora Terrana.

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Mensagens analisadas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) indicam que o empresário Paulo Narcélio Simões do Amaral consultava Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, durante a compra da distribuidora de combustíveis Terrana, concluída no fim de 2024.

O conteúdo foi reunido na terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada em 24 de setembro de 2026 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Receita Federal. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação dos reais beneficiários da aquisição.

Segundo o Gaeco, Narcélio aparecia formalmente como comprador, mas mensagens extraídas de celulares sugerem que decisões relevantes dependiam de Mohamad e de Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco. Os dois são apontados pela investigação como líderes de uma organização criminosa ligada ao setor de combustíveis e estão foragidos.

Um dos grupos de WhatsApp analisados, criado em dezembro de 2024, reunia integrantes das áreas financeira, contábil e administrativa da Terrana. De acordo com a investigação, Mohamad acompanhava a reestruturação da empresa e orientava decisões mesmo sem figurar formalmente como controlador.

As mensagens também indicam que Narcélio teria sido escolhido para preservar a aparência de que era o verdadeiro comprador da distribuidora. Conforme a apuração, ele receberia comissão de 0,75% sobre a transação e remuneração mensal durante os três primeiros meses de gestão.

A estrutura societária envolveu as holdings Berna e Branson, abertas em setembro de 2024 com capital social de R$ 1 mil cada. Segundo o Ministério Público, as empresas foram criadas para intermediar a aquisição e afastar dos beneficiários finais a origem dos recursos usados no negócio.

O financiamento teria envolvido o fundo Radford, administrado pelo Banco Genial, além da Usina Itajobi. A investigação aponta que R$ 100 milhões passaram por diferentes empresas antes de chegar ao fundo, enquanto outros R$ 20 milhões teriam sido enviados por uma empresa ligada ao grupo investigado para uma conta da usina.

Em outra frente, os investigadores identificaram conversas sobre o risco de a movimentação financeira ser percebida pela Secretaria da Fazenda de São Paulo. A decisão judicial registra ainda que diálogos teriam sido apagados após a preocupação manifestada por Narcélio.

O Banco Genial afirmou que Humberto Tupinambá não é diretor nem sócio da instituição desde maio de 2026. O banco disse que forneceu informações ao Gaeco, comunicou operações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), abriu investigação interna, afastou o então diretor dos processos relacionados e renunciou à administração do fundo Radford.

As suspeitas ainda são investigadas e não representam condenação. Mohamad e Beto Louco negam ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo informações publicadas sobre a operação.

Fonte: g1

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