Mensagens analisadas pelo Ministério Público de São Paulo indicam que Paulo Narcélio Simões do Amaral, apresentado formalmente como comprador da distribuidora de combustíveis Terrana, consultava Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, antes de decisões relacionadas à empresa.
As conversas foram extraídas de celulares apreendidos na investigação que resultou na Operação Crédito Oculto, deflagrada em 24 de setembro de 2026 como desdobramento da Operação Carbono Oculto. A ação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial na aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país. ([gov.br](https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2026/setembro/operacao-credito-oculto-receita-federal-e-gaeco-identificam-novas-conexoes-financeiras-de-investigados-da-operacao-carbono-oculto?utm_source=openai))
Segundo o Gaeco, um grupo de WhatsApp chamado “Novo direção Terrana” reunia pessoas ligadas à condução financeira, contábil e administrativa da empresa. Entre os participantes estavam Narcélio e Mohamad, apontado pela investigação como alguém que acompanhava e orientava decisões da companhia.
Em uma das mensagens citadas na investigação, Narcélio afirma que determinada decisão “depende do Primo”, e Humberto Tupinambá responde que falaria com ele. Em outro diálogo, Narcélio diz que era necessário manter a aparência de que a empresa havia sido comprada por ele, enquanto os investigadores sustentam que outras pessoas exerciam influência efetiva sobre a gestão.
De acordo com a apuração, Narcélio teria sido escolhido por seu conhecimento no setor de combustíveis e pela possibilidade de superar os procedimentos de compliance exigidos na negociação. A investigação afirma que ele receberia uma comissão de 0,75% sobre a transação e remuneração mensal durante os três primeiros meses de gestão.
Para formalizar a operação, foram criadas em setembro de 2024 as holdings Berna e Branson, cada uma com capital social de R$ 1 mil e Narcélio como titular formal, segundo o Gaeco. A estrutura financeira descrita pelos investigadores envolveu o fundo Radford, administrado pelo Banco Genial, e transferências que somaram R$ 100 milhões entre empresas e a Usina Itajobi antes do aporte no fundo. A Receita Federal informou que a aquisição teria usado estruturas societárias e financeiras para distanciar os recursos e os beneficiários finais do negócio. ([gov.br](https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2026/setembro/operacao-credito-oculto-receita-federal-e-gaeco-identificam-novas-conexoes-financeiras-de-investigados-da-operacao-carbono-oculto?utm_source=openai))
As mensagens também registram preocupação dos envolvidos após reportagens relacionarem a aquisição da Terrana a Mohamad e ao Primeiro Comando da Capital. Em uma conversa, Narcélio encaminhou uma reportagem a Humberto Tupinambá e escreveu “Cagada!”, segundo o material citado na decisão judicial.
O Banco Genial afirma que Humberto Tupinambá deixou de ser sócio e diretor da instituição em maio de 2026. O banco diz que forneceu informações ao Gaeco, comunicou as operações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras, instaurou apuração interna, afastou o então diretor dos processos decisórios e renunciou à administração do fundo Radford após a deflagração da operação.
Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, são apontados pelo Ministério Público como líderes da organização investigada e estão foragidos, segundo as informações reunidas no caso. As suspeitas ainda são objeto de investigação e não representam condenação definitiva.
Fonte: g1