A cientista política Marta Arretche, professora do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP), afirmou em entrevista publicada em 26 de setembro de 2026 que o eleitor de Flávio Bolsonaro não busca apenas derrotar o PT, mas também aderir a uma plataforma associada ao bolsonarismo.
A avaliação ocorre após pesquisas indicarem um cenário de empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva na reta final da eleição presidencial. Levantamento Datafolha divulgado em 24 de setembro mostra Lula com 40% das intenções de voto e o senador com 36%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Para Arretche, a polarização leva eleitores a relativizar acusações contra o candidato de sua preferência. Segundo ela, o eleitor pode reconhecer problemas, mas considerar que o candidato está mais próximo de seu projeto para o país ou avaliar que o adversário também tem defeitos.
A professora disse que a adesão a Flávio envolve pautas como o endurecimento na segurança pública, a redução do tamanho do Estado, a combinação entre religião e política e a oposição a avanços da agenda LGBT. Na avaliação dela, o candidato se tornou uma aposta mais crível para esse eleitorado do que alternativas antipetistas como Ronaldo Caiado e Romeu Zema.
Arretche afirmou que, se a rejeição ao PT fosse suficiente para explicar a disputa, qualquer candidato antipetista competitivo poderia conquistar esse eleitorado. Para ela, o bolsonarismo construiu uma identificação positiva em torno de um projeto político, e não apenas uma rejeição ao campo petista.
A cientista política também avaliou que a ligação familiar com Jair Bolsonaro provavelmente fortaleceu Flávio na disputa pela herança política do bolsonarismo. Ela afirmou ainda que uma eventual derrota eleitoral de Flávio não representaria necessariamente o fim desse projeto político no Brasil.
Fonte: O Globo