Os Estados Unidos e a União Europeia rejeitaram nesta sexta-feira, 25 de setembro de 2026, na Assembleia Geral da ONU, uma declaração que propõe colaboração internacional e solidariedade na prevenção e na resposta a futuras pandemias.
O texto não impõe obrigações legais nem estabelece regras para os países durante uma emergência sanitária. A proposta ainda poderá ser analisada em uma reunião futura da Assembleia Geral e, caso obtenha apoio suficiente, representará um compromisso político entre os países-membros.
A União Europeia afirmou reconhecer a importância de uma abordagem conjunta nas áreas de saúde pública e financiamento, mas não endossou o documento por discordar das disposições sobre propriedade intelectual. O bloco defendeu que a transferência de tecnologia ocorra de forma voluntária e em termos mutuamente acordados.
A UE também pediu compromissos realistas de financiamento e respeito aos processos de decisão de cada país. O bloco criticou a ausência de um mecanismo global de rastreamento financeiro para estimular a responsabilidade dos países colaboradores.
Os Estados Unidos justificaram a rejeição alegando a presença de “ideologias divisoras” e a falta de consenso sobre definições, segundo Erica Schwartz, diretora dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Um rascunho anterior, obtido pelo jornal The New York Times, indicava que o governo americano havia pedido a retirada de referências à igualdade, à solidariedade e ao acesso universal a serviços de saúde reprodutiva e sexual.
A administração de Donald Trump retirou os Estados Unidos da Organização Mundial da Saúde (OMS) em janeiro de 2026. Em maio de 2025, o secretário de Saúde americano, Robert F. Kennedy Jr., afirmou que os Regulamentos Internacionais de Saúde poderiam permitir à OMS ordenar lockdowns globais e comprometer a soberania dos Estados Unidos.
A controvérsia ocorre após as negociações frustradas, em 2025, de um tratado internacional sobre pandemias. Um dos pontos de divergência envolvia o compartilhamento rápido de sequências genéticas e amostras de patógenos, com países de baixa renda defendendo compensações por meio de acesso a exames, vacinas e outras ferramentas de saúde.
Fonte: O Globo