Criminosos usam perfis e comentários no TikTok para atrair interessados e direcioná-los a grupos, chats privados e robôs no Telegram que vendem conteúdo de violência sexual contra crianças e adolescentes. Segundo reportagem do g1, os pacotes custam entre R$ 10 e R$ 150 e alguns vendedores aceitam pagamentos por PIX e criptomoedas.
O levantamento identificou ao menos 35 links publicados no TikTok relacionados à comercialização desse material. Os anúncios também foram encontrados em sites externos e, em alguns casos, ofereciam prévias autodestrutivas antes da cobrança.
De acordo com a reportagem, os criminosos usam contas bancárias de terceiros, familiares ou supostas “laranjas” para receber os valores. Investigadores da Polícia Federal ouvidos pelo g1 afirmam que as transações feitas por PIX deixam registros que podem ajudar na identificação de compradores e vendedores.
O TikTok informou que remove publicações do tipo, bane as contas envolvidas e comunica casos ao Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas. A plataforma disse que removeu proativamente 99,8% dos conteúdos que violaram suas políticas sobre abuso sexual e físico de jovens no primeiro trimestre de 2026.
O Telegram afirmou que proíbe o compartilhamento desse material e informou ter removido mais de 300 mil grupos e canais relacionados a abuso sexual infantil em 2026. A empresa também declarou usar moderação humana, sistemas automatizados e comparação de arquivos com bases de conteúdo previamente identificado.
A produção, venda, divulgação, aquisição e armazenamento desse tipo de material são crimes no Brasil. A Lei nº 15.487, sancionada em 6 de agosto de 2026, ampliou as medidas de repressão e elevou as penas: a produção e a comercialização podem resultar em quatro a dez anos de reclusão, enquanto adquirir, possuir ou armazenar o conteúdo pode levar a três a seis anos, além de multa. ([planalto.gov.br](https://planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/lei/l15487.htm?utm_source=openai))
Denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, de forma anônima, ou em qualquer delegacia. Em situações de risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190. Casos também podem ser comunicados ao Ministério Público e aos conselhos tutelares.
Fonte: g1