A Comissão Eleitoral de Israel vetou, na quarta-feira (23), a participação das principais listas árabes nas eleições parlamentares marcadas para 27 de outubro. O órgão também barrou candidaturas individuais, mas autorizou a presença de partidos de extrema direita ligados ao governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
A decisão atingiu a Lista Árabe Unida (Ra'am), liderada por Mansour Abbas, e a Lista Conjunta, formada pelos partidos Hadash, Ta'al e Balad. O parlamentar do Hadash Ofer Cassif e o líder do Balad, Sami Abu Shehadeh, também foram impedidos de concorrer.
Segundo a comissão, as siglas negam publicamente a existência de Israel como Estado democrático e judeu, fazem declarações de incitação ao racismo e apoiam a luta armada de grupos ou países hostis. Cassif foi punido por negar o caráter judaico do Estado, enquanto Abu Shehadeh foi questionado por um artigo no qual classificou o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023 como um evento histórico importante nos campos militar, político e estratégico.
Abu Shehadeh afirmou posteriormente que se arrependeu do texto e que pretendia interromper a escalada militar. "Nunca incitei a violência ou o terrorismo. Oponho-me à luta armada", disse ao Times of Israel.
Os pedidos de desqualificação foram apresentados por partidos da base de Netanyahu, entre eles o Poder Judaico, do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir. Políticos da oposição, como Avigdor Lieberman e Yair Golan, também apoiaram moções contra partidos e candidatos árabes.
As queixas contra siglas de extrema direita, incluindo o Poder Judaico, foram rejeitadas. Os partidos são liderados por figuras como Ben-Gvir e o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich.
A organização Adalah, que presta assistência jurídica a palestinos em Israel, classificou o procedimento como politicamente motivado, arbitrário e racista. O caso será analisado pela Suprema Corte, que poderá reverter as exclusões.
A votação de outubro é considerada decisiva para a formação do próximo governo israelense. Projeções citadas na reportagem indicam que os partidos árabes poderiam conquistar até 12 cadeiras e influenciar a composição da coalizão, caso permanecessem na disputa.
Fonte: O Globo