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sábado, 26 de setembro de 2026

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Ataques russos destroem milhões de livros na Ucrânia

Ataques russos destruíram até 15 milhões de livros na Ucrânia e afetaram editoras, gráficas e a distribuição de material didático.

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Ataques russos destruíram milhões de livros e danificaram armazéns, gráficas e editoras na Ucrânia nos últimos meses, afetando a preparação do ano letivo e a produção cultural do país. Um dos episódios mais graves ocorreu em agosto, quando drones atingiram um depósito da editora infantil Ranok Publishing, em Kharkiv.

O incêndio durou quase uma semana e destruiu os 8 milhões de livros armazenados no local, incluindo 620 mil exemplares didáticos. Cerca de 50 funcionários estavam no armazém no momento do ataque, mas conseguiram escapar sem ferimentos, segundo o diretor-executivo da empresa, Viktor Kruglov.

De acordo com Artem Bidenko, diretor-executivo da Associação Ucraniana de Editoras, os bombardeios russos destruíram até 15 milhões de livros novos nos últimos meses, quase metade da produção anual da Ucrânia. O Ministério da Cultura ucraniano estima prejuízos de quase US$ 40 milhões para a indústria editorial.

Os ataques também atingiram o mercado de livros de Pochaina, em Kiev, destruindo grande parte do local, além de armazéns de editoras infantis e da gráfica Konvi Print. Mais de 600 mil livros didáticos foram danificados ou destruídos, e estudantes de algumas regiões começaram o ano letivo sem receber os exemplares previstos.

A ofensiva contra depósitos afetou ainda outros setores da economia ucraniana. Entre os produtos destruídos estão alimentos, bebidas, brinquedos, roupas, peças automotivas, encomendas e centenas de toneladas de medicamentos.

Segundo representantes do setor, os ataques russos destruíram cerca de 40% da capacidade moderna de armazenamento da Ucrânia. O ministro da Agricultura do país apresentou uma estimativa ainda maior, enquanto mais de 60 trabalhadores morreram nos ataques contra instalações de armazenamento.

Para editoras e leitores ucranianos, a destruição de livros tem também um peso cultural. A língua ucraniana se tornou um símbolo de identidade nacional, especialmente após a invasão em larga escala iniciada pela Rússia em fevereiro de 2022.

Kruglov afirmou que tenta obter recursos e encontrar gráficas para reimprimir os livros didáticos perdidos. Ele também contou que continua lendo para o filho, de quase 6 anos, como forma de oferecer algum alívio e normalidade em meio à guerra.

Fonte: O Globo

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