Ataques russos destruíram oito milhões de livros armazenados pela editora infantil Ranok Publishing, em Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, durante um incêndio iniciado após a queda de dois drones em agosto. O episódio ocorreu enquanto a empresa preparava livros didáticos para o novo ano letivo.
Segundo Artem Bidenko, diretor-executivo da Associação Ucraniana de Editoras, os bombardeios destruíram até 15 milhões de livros novos nos últimos meses, quase metade da produção anual do país. O Ministério da Cultura da Ucrânia estima prejuízos de quase US$ 40 milhões para a indústria editorial.
O diretor-executivo da Ranok, Viktor Kruglov, afirmou que cerca de 50 funcionários estavam no armazém quando o ataque ocorreu e que todos escaparam ilesos. Segundo ele, a Rússia atinge deliberadamente elementos ligados à cultura ucraniana.
Os ataques também destruíram ou danificaram gráficas, livrarias e armazéns em diferentes regiões. Entre os locais atingidos está o mercado de livros de Pochaina, em Kiev, que reunia obras russas e ucranianas antigas.
Mais de 600 mil livros didáticos foram danificados ou destruídos, e algumas crianças começaram o ano letivo sem os exemplares previstos. A editora Ranok tenta obter recursos e encontrar gráficas para reimprimir os livros perdidos.
Os ataques contra a cadeia de armazenamento ucraniana também atingiram alimentos, medicamentos, brinquedos, roupas, peças automotivas e encomendas. De acordo com representantes do setor, os bombardeios destruíram cerca de 40% da capacidade moderna de armazenamento do país, e mais de 60 trabalhadores morreram.
A destruição de livros ocorre em meio à disputa sobre a identidade linguística e cultural da Ucrânia. O uso do ucraniano ganhou força após a invasão russa em larga escala, iniciada em fevereiro de 2022, especialmente entre cidadãos que antes falavam russo.
Kruglov contou que tenta manter o hábito de ler para o filho, Ivan, de quase 6 anos, como forma de preservar alguma normalidade durante a guerra. Os livros preferidos da criança incluem O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, além de histórias sobre Paddington e dinossauros.
Fonte: O Globo