A Polícia Civil do Ceará investiga se João Munhoz Neto, namorado da estudante Isabelle Caracristi, de 22 anos, a induziu ao suicídio. A jovem morreu em 13 de setembro após cair do rooftop de um condomínio no bairro Aldeota, em Fortaleza, e o caso levou à prisão preventiva do bacharel em Direito.
Segundo a investigação, depoimentos apontam que Munhoz mantinha comportamento controlador, restringia a liberdade da estudante e acompanhava sua rotina. A polícia apura ainda a possibilidade de violência psicológica e afirma que ele teve uma postura considerada pouco colaborativa após a morte.
A perícia identificou politraumatismos compatíveis com a queda e não encontrou sinais de violência no corpo ou no apartamento onde o casal morava. Imagens de segurança mostram Isabelle entrando sozinha no elevador e seguindo até o rooftop, que não possuía câmeras; mais de 700 vídeos de outros pontos do prédio e das áreas próximas são analisados.
O relacionamento começou no escritório onde os dois trabalhavam. Isabelle havia iniciado um estágio em 24 de julho, enquanto João atuava na gestão e supervisão da equipe. De acordo com o depoimento do proprietário do escritório, a estudante relatou sentir-se sufocada e afirmou que o namorado dificultava sua atuação profissional independente.
Após conversas com o gestor, os computadores dos dois foram afastados e Isabelle deixou o estágio em 17 de agosto, alegando questões pessoais. João também se afastou posteriormente e passou a trabalhar em regime de home office.
A estudante passou parte do fim de semana anterior à morte com a mãe, Isorlanda Caracristi. No domingo, 13 de setembro, ela teria informado que participaria de uma missa e de uma procissão com o namorado e familiares dele. Mais tarde, foi registrada no condomínio e subiu sozinha ao rooftop.
O celular de João e outros dispositivos eletrônicos foram apreendidos e passam por perícia. A Polícia Civil também ouviu familiares, colegas e outras testemunhas, além de analisar mensagens, imagens e laudos produzidos pela Perícia Forense do Ceará.
João foi preso em 22 de setembro, e a Justiça manteve a prisão preventiva na audiência de custódia realizada no dia seguinte. A defesa nega as suspeitas de violência psicológica e induzimento ao suicídio e informou, em 24 de setembro, que apresentou pedido de habeas corpus. O caso permanece em investigação, e a prisão não representa condenação.
Fonte: g1 Ceará