A Polícia Civil do Ceará investiga se João Munhoz Neto, de 34 anos, submetia a estudante Isabelle Caracristi, de 22, a violência psicológica e a teria induzido ao suicídio. A jovem morreu em 13 de setembro, após cair do rooftop do condomínio onde morava, no bairro Aldeota, em Fortaleza.
João foi preso preventivamente em 22 de setembro, e a prisão foi mantida pela Justiça após audiência de custódia no dia seguinte. A defesa ingressou com um pedido de habeas corpus e contesta a existência de elementos que justifiquem a detenção ou comprovem indução ao suicídio.
Segundo a investigação, depoimentos indicaram que o relacionamento era marcado por controle e restrições à liberdade de Isabelle. Testemunhas relataram que João controlava a rotina da estudante e dificultava que ela realizasse atividades profissionais e tarefas cotidianas sozinha.
O casal se conheceu no escritório onde trabalhava. Isabelle começou o estágio em 24 de julho e deixou a empresa em 17 de agosto, alegando questões pessoais. De acordo com depoimentos reunidos pela polícia, ela teria relatado ao proprietário do escritório que se sentia sufocada e que o namorado não permitia sua atuação independente.
Imagens de segurança mostram Isabelle entrando sozinha em um elevador e seguindo para o rooftop do edifício, no 23º andar. A perícia apontou lesões compatíveis com o impacto da queda e não identificou sinais de violência no apartamento; a Polícia Civil, porém, afirma que outras linhas de investigação ainda não foram totalmente descartadas.
A corporação também apura a conduta de João depois da morte. Conforme relatos apresentados pela polícia, ele teria retornado ao condomínio em busca do celular da estudante, impedido a entrada de familiares no imóvel e deixado o local com malas. Mais de 700 vídeos, aparelhos eletrônicos e depoimentos de ao menos oito pessoas são analisados.
O caso é investigado por um grupo formado por equipes da 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, da 2ª Delegacia de Defesa da Mulher e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa. A Perícia Forense do Ceará informou ter concluído dez laudos, enquanto outros exames permanecem em andamento.
Fonte: g1