Conversas extraídas pela Polícia Federal do celular da lobista Roberta Luchsinger citam uma pintura de R$ 82,9 mil e um relógio de R$ 66 mil que, segundo ela, seriam destinados a Swedenberger Barbosa, o Berger, assessor da Presidência da República. As mensagens foram reveladas em 24 de setembro de 2026, enquanto Luchsinger tentava viabilizar negócios de empresas com o governo.
Luchsinger é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois são investigados sob suspeita de tráfico de influência.
Em uma das conversas, a lobista recebe uma foto de Berger ao lado de um quadro e responde: "Uma lembrança nossa pra vcs". Em outro diálogo, mostra a um amigo imagens de um relógio Cartier Tank e afirma que está "levando um mimo" para Berger.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência informou que Berger nega categoricamente ter recebido os presentes ou qualquer outra vantagem indevida de Luchsinger. A pasta também disse que o Ministério da Saúde não celebrou contrato decorrente das propostas citadas nas mensagens.
Na época dos diálogos, Luchsinger tentava intermediar no Ministério da Saúde um contrato para uma empresa de produtos à base de cannabis medicinal. Segundo o conteúdo original, ela recebeu R$ 1,5 milhão para atuar no lobby do medicamento, mas o negócio não avançou.
Berger também aparece agradecendo a lobista por uma festa de aniversário realizada durante um show em um camarote do Estádio Mané Garrincha, em Brasília.
As mensagens ainda indicam pagamentos de R$ 217 mil feitos por Luchsinger ao ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Ele confirmou os repasses e afirmou que se tratavam de um empréstimo pessoal já devolvido.
Conversas apreendidas pela PF também mostram a lobista orientando um funcionário a depositar valores nas contas de dois servidores do Ministério do Desenvolvimento Social. Após os pagamentos, no fim de 2023, a empresa 3Structure IT venceu um pregão e assinou contrato de R$ 31,2 milhões com a pasta; em abril de 2026, firmou outro acordo, de R$ 19,2 milhões, com vigência até abril de 2031.
O Ministério do Desenvolvimento Social rejeitou a hipótese de favorecimento e afirmou que a licitação para serviços de backup de tecnologia ocorreu por pregão eletrônico, com disputa pelo menor preço. A pasta disse ainda que os servidores citados não tinham competência sobre a área e não participaram do processo.
As defesas de Luchsinger e de Lulinha não se manifestaram. Em ocasiões anteriores, ambos negaram irregularidades.
Fonte: O Globo