O Escritório de Contabilidade do Governo dos Estados Unidos (GAO) apontou, em análise divulgada na quinta-feira (24), que o governo de Donald Trump desperdiçou milhões de dólares na rápida expansão da detenção de imigrantes no país.
Entre os gastos identificados estão US$ 2,85 milhões (cerca de R$ 14,7 milhões) em tendas construídas para abrigar migrantes na Baía de Guantánamo. As estruturas, planejadas para receber 5 mil pessoas, não atendiam aos padrões federais de detenção e nunca foram usadas.
O acampamento, próximo à prisão militar que recebeu suspeitos de terrorismo após os ataques de 11 de setembro, tinha média diária de 16 detidos em junho de 2026, segundo o GAO.
O governo também gastou US$ 20,5 milhões (aproximadamente R$ 106,34 milhões) em custos administrativos, serviços públicos e segurança de sete armazéns comprados às pressas e posteriormente colocados à venda. O ICE havia adquirido 11 imóveis por US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,19 bilhões) para transformá-los em centros de detenção.
Em outra instalação, o Camp East Montana, no Texas, foram gastos US$ 11,5 milhões (cerca de R$ 59,5 milhões) em serviços durante duas semanas em que o local estava vazio. Entre outubro de 2025 e março de 2026, o governo ainda gastou US$ 7,1 milhões (aproximadamente R$ 36,92 milhões) em refeições que não foram necessárias.
Até julho de 2026, o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) havia desembolsado mais de US$ 2,5 bilhões (cerca de R$ 13,03 bilhões) em armazéns e outras instalações para deter imigrantes, sem avaliar os custos de longo prazo, segundo o relatório.
O GAO informou que o ICE lançou seis iniciativas de expansão sem um plano estratégico definido e depois reduziu quatro delas. O órgão recomendou a criação de um planejamento amplo, com metas e orçamentos, e o ICE concordou com a medida.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) e o ICE não responderam aos pedidos de comentário mencionados no relatório.
Fonte: O Globo