Ir para o conteúdo

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

SEGURANÇA

Criminosos usam TikTok para direcionar venda de material de abuso sexual infantil no Telegram

Criminosos usam comentários e links no TikTok para direcionar interessados à venda de material de abuso sexual infantil no Telegram.

Compartilhe
WhatsApp

Criminosos usam publicações e comentários no TikTok para atrair interessados e direcioná-los à venda de material de abuso sexual infantil no Telegram, segundo investigação do g1 publicada nesta sexta-feira (25). O veículo monitorou mais de 30 perfis durante semanas e localizou ao menos 35 links associados ao esquema.

Os envolvidos utilizam códigos e expressões indiretas para tentar driblar a fiscalização da plataforma. A maior parte dos links levava a grupos, bots, conversas privadas ou miniapps do Telegram, onde os arquivos eram oferecidos em pacotes e, em alguns casos, acompanhados de amostras gratuitas.

De acordo com a reportagem, os pagamentos eram solicitados por criptomoedas e também por PIX. Os valores variavam conforme o pacote anunciado, e investigadores ouvidos pelo g1 afirmaram que as transações deixam registros capazes de auxiliar na identificação de compradores e vendedores.

O conteúdo divulgado incluía registros de violência sexual e materiais envolvendo adolescentes. Os termos e códigos usados pelos criminosos não foram publicados para evitar a ampliação da prática.

O TikTok informou que remove conteúdos relacionados à exploração sexual infantil, bane permanentemente as contas envolvidas e comunica casos ao Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC). Segundo a empresa, 99,8% dos conteúdos que violaram suas políticas sobre abuso sexual e físico de jovens foram removidos de forma proativa no primeiro trimestre de 2026.

O Telegram afirmou que proíbe esse tipo de material e informou ter removido 339.760 grupos e canais relacionados ao abuso sexual infantil em 2026. A Meta, procurada sobre testes semelhantes no Instagram, declarou que investe em tecnologia para detectar violações e adotar as medidas cabíveis.

A SaferNet Brasil informou ter identificado 1.093 endereços ativos do Telegram com indícios de material de violência sexual contra crianças e adolescentes em levantamento apresentado à Agência Nacional de Proteção de Dados. A organização também afirma que estratégias semelhantes são utilizadas em outras redes sociais.

A Lei nº 15.487, sancionada em 6 de agosto de 2026, aumentou as penas para crimes relacionados à produção, venda, divulgação, aquisição, posse e acesso deliberado a esse tipo de conteúdo, inclusive quando produzido com inteligência artificial. Para produzir ou distribuir o material, a pena passou a ser de quatro a dez anos de reclusão e multa; para adquirir, possuir ou armazenar, de três a seis anos e multa.

Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que o Brasil registrou 4.063 casos de produção, posse ou distribuição de material de abuso sexual infantil em 2025. O número representa aumento em relação ao ano anterior, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Denúncias de violência contra crianças e adolescentes podem ser feitas pelo Disque 100. Em situações de risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

Fonte: g1

Leia também