O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) rejeitou nesta sexta-feira (25) a abertura de uma investigação preliminar sobre a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e decidiu mantê-lo à frente dos procedimentos relacionados ao caso Master. A votação terminou em 5 a 4 contra a apuração e em 9 a 0 contra o afastamento de Gonet.
A análise ocorreu após o nome do procurador-geral aparecer em mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e depois da divulgação de uma fotografia em que os dois aparecem juntos em um evento em Londres.
Relator do procedimento, o subprocurador-geral da República Francisco Sanseverino afirmou que não havia elementos mínimos de autoria e materialidade para justificar uma apuração. Segundo ele, não foram identificadas conversas diretas entre Gonet e Vorcaro, e o contato do procurador-geral não estava salvo no celular do banqueiro.
Sanseverino também apontou que as mensagens analisadas registram contatos entre Vorcaro e o advogado Ciro Soares, que teria atuado como intermediário. O relator defendeu que as conversas não fossem examinadas de forma isolada ou fora de contexto.
Janice Ascari, Samantha Chantal Dobrowolski e José Adonis Callou votaram pela coleta de informações preliminares. Para eles, ainda havia questões factuais a esclarecer, especialmente sobre a fotografia em Londres e as referências a Gonet nas mensagens.
Samantha afirmou que Gonet deveria ter se declarado impedido de atuar no caso depois que passou a ser mencionado nos elementos reunidos pela investigação. José Adonis argumentou que um integrante do Ministério Público não deve avaliar a relevância de provas que possam envolver sua própria conduta.
Os subprocuradores Alexandre Camanho e Celso Albuquerque defenderam o arquivamento. Camanho disse que o Conselho Superior não teria competência para decidir sobre eventual impedimento ou suspeição do procurador-geral, enquanto Albuquerque avaliou que a fotografia não demonstrava vínculo suficiente entre Gonet e Vorcaro.
Gonet negou manter relação de proximidade ou amizade com Vorcaro e afirmou não ter interesse pessoal nos processos ligados ao ex-banqueiro. Ele também sustentou estar apto a continuar atuando nos procedimentos relacionados ao Banco Master.
Como o procedimento envolvia o próprio procurador-geral, a sessão foi presidida pelo vice-presidente do Conselho, Nicolao Dino. Gonet não participou da deliberação.
Fonte: O Globo