A Comissão Eleitoral de Israel vetou, em sessão realizada na quarta-feira, a participação de partidos árabes nas eleições gerais marcadas para 27 de outubro. A decisão ainda será analisada pela Suprema Corte, enquanto siglas de extrema direita que integram o governo foram autorizadas a disputar o pleito.
O órgão barrou a Lista Árabe Unida, liderada por Mansour Abbas, e a coalizão Lista Conjunta, formada por Hadash, Ta’al e Balad. Também impôs restrições individuais ao parlamentar do Hadash Ofer Cassif e ao líder do Balad, Sami Abu Shehadeh.
Segundo a comissão, os partidos negam publicamente a existência de Israel como Estado democrático e judaico, fazem declarações de incitação ao racismo e apoiam a luta armada de grupos ou países hostis. Cassif foi alvo da decisão por negar o caráter judaico do Estado israelense, enquanto Shehadeh foi questionado por um artigo sobre o ataque do Hamas, do qual afirmou posteriormente se arrepender.
Os pedidos de veto foram apresentados por partidos da base do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, incluindo o Poder Judaico, do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir. Parlamentares da oposição, como Avigdor Lieberman e Yair Golan, também apoiaram moções contra partidos e políticos árabes.
A ONG Adalah, que presta assistência jurídica a palestinos em Israel, classificou o procedimento como politicamente motivado, arbitrário e racista. A entidade afirmou que a medida busca perseguir atividades e ideias políticas legítimas.
As queixas contra partidos de extrema direita foram rejeitadas pela comissão, apesar de declarações racistas e extremistas atribuídas a integrantes do governo. A Suprema Corte deverá decidir se mantém ou derruba a exclusão dos partidos árabes.
Em uma eleição considerada acirrada, as siglas árabes poderiam conquistar até 12 cadeiras e influenciar a formação do próximo governo. Ainda não está definido para onde iriam os votos caso o veto seja mantido.
Fonte: O Globo