Artigo publicado em setembro de 2026 analisa como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contabiliza mulheres e pessoas trans nas candidaturas às eleições brasileiras e aponta diferenças entre os critérios de sexo, gênero e identidade de gênero.
Segundo os dados citados no texto, as mulheres representam 52,8% do eleitorado apto a votar em 2026, com cerca de 9 milhões de eleitoras a mais que os homens. Esse peso numérico torna o voto feminino um dos principais focos da disputa presidencial.
A participação feminina entre as candidaturas passou de 33,8% em 2022 para 34,8% em 2026. Apesar do aumento percentual, o número absoluto de candidatas caiu, acompanhando a redução geral dos registros, que somam cerca de 20,5 mil, dos quais aproximadamente 7,1 mil são de mulheres.
O artigo, assinado pela economista Clarice Saadi, afirma que a forma de medir a participação feminina mudou ao longo do tempo. Até 2018, o TSE coletava o sexo dos candidatos; a partir de 2020, passou a utilizar o campo gênero e, em 2024, incluiu a identidade de gênero.
Entre as 107 candidaturas que se declararam transgênero em 2026, 95 foram classificadas pelo TSE como do gênero feminino. Com isso, o resultado varia conforme o critério adotado: pela variável gênero, essas candidaturas entram na conta das mulheres; pela variável sexo, aparecem como candidaturas masculinas.
Na comparação entre 2024 e 2026, a proporção geral de candidaturas do sexo masculino caiu de 65,72% para 64,95%. Entre as candidaturas trans, porém, a participação masculina subiu de 77% para 88,79%, segundo os números apresentados no artigo.
O texto também afirma que o TSE utiliza o gênero como referência para a aplicação das cotas eleitorais destinadas às mulheres desde 2018, embora a legislação trate da reserva de candidaturas por sexo. Para a autora, essa diferença pode afetar a dimensão do grupo alcançado pelas políticas de incentivo e a distribuição de recursos públicos.
Como proposta, o artigo defende que o TSE registre separadamente sexo, gênero e identidade de gênero. A medida permitiria comparar os dados históricos com maior precisão e responder a perguntas distintas sobre a presença de mulheres e pessoas trans nas eleições.
Fonte: O Globo