A Academia Goncourt retirou nesta sexta-feira (25) o romance C’était ça ou mourir, do escritor canadense de origem haitiana Thélyson Orélien, da lista de candidatos ao principal prêmio literário da França. A decisão foi tomada após acusações de uso de inteligência artificial e plágio.
Segundo a instituição, análises realizadas por pesquisadores e jornalistas indicaram que o livro é, “muito provavelmente”, em grande parte resultado de inteligência artificial. A Academia afirmou que a medida busca preservar a integridade do prêmio e da própria organização.
As suspeitas começaram no início da semana, quando uma conta anônima no X acusou Orélien de ter escrito quase todo o romance com auxílio de IA. O autor nega a acusação e afirmou à AFP que se pronunciará quando a controvérsia diminuir.
Dois dias depois, surgiram acusações de que textos publicados pelo escritor no Canadá há mais de uma década teriam reproduzido trechos de outras obras. A editora Boréal, responsável por sua publicação no país, suspendeu as atividades promocionais relacionadas ao autor.
Orélien, de 38 anos, estava na França para promover o livro, que havia se tornado um dos destaques da temporada literária e figurava entre os favoritos de diferentes premiações. Ele também havia recebido o prêmio de romance da Fnac.
A conta que iniciou as acusações foi posteriormente atribuída ao ensaísta francês Samuel Fitoussi, que afirmou se tratar de um projeto coletivo. O caso ampliou o debate sobre os limites do uso de inteligência artificial na produção literária e sobre os métodos disponíveis para identificar sua eventual utilização.
Fonte: G1