João Munhoz Neto, namorado da estudante Isabelle Caracristi, permanece preso preventivamente enquanto a Polícia Civil do Ceará investiga as circunstâncias da morte da jovem, encontrada após cair do rooftop de um condomínio no bairro Aldeota, em Fortaleza, em 13 de setembro.
Inicialmente, a ocorrência foi tratada como suicídio. A investigação, porém, passou a apurar também a possibilidade de indução ao suicídio e violência psicológica, depois que depoimentos apontaram um comportamento controlador no relacionamento. Segundo a polícia, testemunhas relataram que João tentava limitar a circulação de Isabelle e afastá-la do convívio com outras pessoas.
Imagens de câmeras mostram Isabelle sozinha em um elevador, com o celular nas mãos, seguindo para o rooftop do prédio. O local não tinha câmeras de segurança, mas mais de 700 vídeos de outras áreas do condomínio e das proximidades são analisados pela Polícia Civil para reconstruir a sequência dos acontecimentos.
A Perícia Forense do Ceará identificou lesões compatíveis com o impacto contra o solo e não encontrou sinais de violência no apartamento onde o casal morava. A polícia afirma que a queda foi voluntária, mas ressalta que outras linhas de investigação ainda não foram totalmente descartadas.
Após a morte, João teria retornado ao condomínio para buscar o celular de Isabelle. Conforme depoimentos citados pela Polícia Civil, o imóvel teria sido limpo e colocado à venda, enquanto familiares da jovem não teriam sido autorizados a entrar no apartamento. O namorado também teria mudado de endereço e comparecido à delegacia somente oito dias depois, acompanhado de uma advogada.
A mãe de João, Sara Regina Alexandre Munhoz, teve um celular e um tablet apreendidos durante uma operação policial em Cumbuco, em Caucaia. O material e outros aparelhos eletrônicos são submetidos a perícia, enquanto novas testemunhas devem ser ouvidas.
João foi preso em 22 de setembro e teve a prisão preventiva mantida pela Justiça após audiência de custódia no dia seguinte. A medida não representa condenação, e ele continua sendo tratado como investigado enquanto a apuração prossegue pela 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital.
Fonte: g1 Ceará