A Justiça do Ceará manteve, em 23 de setembro, a prisão preventiva de João Munhoz Neto, de 34 anos, namorado da estudante Isabelle Caracristi, encontrada morta após cair do rooftop de um condomínio no bairro Aldeota, em Fortaleza, no dia 13 de setembro.
Munhoz é investigado por possível violência psicológica e indução, instigação ou auxílio ao suicídio. A Polícia Civil afirma que depoimentos indicam comportamento controlador e tentativa de afastar Isabelle do convívio com familiares e outras pessoas.
Segundo a investigação, imagens de câmeras mostram Isabelle subindo sozinha ao rooftop, no 23º andar, antes da queda. O local não tinha câmeras de segurança, mas mais de 700 vídeos de outras áreas do condomínio e das proximidades são analisados para reconstruir a dinâmica do caso.
A Perícia Forense do Ceará apontou que a jovem morreu em decorrência de politraumatismo compatível com o impacto contra o solo. Os exames realizados no apartamento e no corpo não identificaram sinais de violência física, e a polícia trata a queda como precipitação voluntária, sem descartar completamente outras linhas de investigação.
A polícia também apura a conduta do namorado após a morte. Depoimentos indicam que ele teria retornado ao imóvel no dia seguinte para buscar o celular de Isabelle, enquanto o apartamento teria sido limpo e colocado à venda. Munhoz deixou o local com malas e só compareceu à delegacia oito dias depois, acompanhado de uma advogada, segundo a corporação.
A defesa contesta a prisão preventiva e afirma que o investigado se apresentou voluntariamente, entregou o celular e informou um endereço para ser localizado. A manutenção da prisão é uma medida cautelar e não representa condenação.
O celular e um tablet da mãe de João, Sara Regina Alexandre Munhoz, foram apreendidos durante uma operação policial. Ela também foi exonerada de um cargo comissionado na Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização do Ceará, mas o ato publicado no Diário Oficial não informa o motivo nem estabelece relação entre a exoneração e a investigação.
A Polícia Civil ainda deve ouvir testemunhas, analisar os aparelhos eletrônicos apreendidos e concluir a avaliação das imagens. O inquérito permanece em andamento.
Fonte: g1 Ceará