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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

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Jornal Diário do Povo

JUSTIÇA

Investigação aponta atuação do Banco Genial em esquema de lavagem no setor de combustíveis

Investigação do Gaeco apura se o Banco Genial foi usado para lavar dinheiro e ocultar bens ligados a um esquema no setor de combustíveis.

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O Ministério Público de São Paulo e a Secretaria da Fazenda paulista investigam a suposta participação do Banco Genial em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao mercado de combustíveis. A apuração integra a terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada em 24 de setembro de 2026 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Entre os alvos estão o ex-diretor do banco Humberto Arthur Tupinambá Neto e seus irmãos, André e Bruno Tupinambá. Segundo a investigação, a atuação atribuída ao grupo teria ocorrido antes de maio de 2026, quando Humberto foi destituído e deixou de integrar a diretoria e o quadro societário da instituição.

De acordo com o Gaeco, as operações investigadas envolveram a transferência de negócios para o Banco Genial após o rompimento com a gestora Reag, no segundo semestre de 2024. A Promotoria afirma que a captação dos clientes e a estruturação das operações foram conduzidas com a participação de Humberto Tupinambá.

Os investigadores apontam que a Usina Itajobi injetou R$ 176 milhões no fundo Radford, administrado pela Genial. O fundo teria aplicado os recursos em Certificados de Depósito Bancário emitidos pelo próprio banco, que usou esses ativos como lastro para conceder empréstimos a empresas apontadas como de fachada.

Segundo a apuração, os empréstimos foram usados para a compra da distribuidora de combustíveis Terrana, também identificada como Tobras, e de cotas do fundo imobiliário Los Angeles. Esse fundo reúne cerca de 20 imóveis, entre postos de combustíveis e terrenos na zona norte de São Paulo, avaliados em mais de R$ 200 milhões, conforme os investigadores.

O Ministério Público sustenta que a estrutura teria permitido aos investigados utilizar recursos próprios para adquirir empresas e imóveis, mantendo os bens registrados em nome de terceiros e alienados ao Banco Genial. A Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo busca recuperar R$ 7,6 bilhões em impostos que teriam sido sonegados pelo grupo investigado.

A Fazenda paulista também questionou uma tentativa de liquidação dos CDBs e de transferência dos créditos de volta ao fundo Radford no dia da primeira fase da operação, em agosto de 2025. A Justiça manteve o bloqueio dos R$ 176 milhões, segundo as informações apresentadas no caso.

Em nota, o Banco Genial afirmou que forneceu ao Gaeco todas as informações que estavam em seu poder sobre as operações envolvendo o fundo Radford e as empresas Berna e Branson Holdings. A instituição também declarou ter feito as comunicações cabíveis ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

O banco disse ainda que adotou medidas de governança e controle, afastou Humberto Tupinambá dos processos decisórios, instaurou uma investigação interna e posteriormente o destituiu. Após a deflagração da Operação Carbono Oculto, a Genial informou ter renunciado à administração do fundo Radford e mantido a colaboração com as autoridades.

As acusações ainda são investigadas e não representam condenação definitiva dos citados. A apuração deverá esclarecer a participação individual dos envolvidos e a eventual responsabilidade da instituição nas operações financeiras analisadas.

Fonte: G1

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