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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

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Jornal Diário do Povo

JUSTIÇA

Empresário delator do Banco Master vira alvo de operação sobre lavagem no setor de combustíveis

Antônio Carlos Freixo Júnior, delator do caso Banco Master, foi alvo de busca na Operação Crédito Oculto, que apura lavagem no setor de combustíveis.

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Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, foi alvo de um mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira (24), durante a Operação Crédito Oculto, desdobramento da Operação Carbono Oculto que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial no setor de combustíveis.

A ação foi deflagrada pela Receita Federal e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio de órgãos estaduais e de unidades do Ministério Público em sete estados. Segundo a Receita, foram expedidos mandados contra 13 pessoas físicas e 19 empresas, em investigação sobre a aquisição de uma grande distribuidora de combustíveis por meio de estruturas financeiras complexas.

Freixo ganhou destaque nas investigações sobre o Banco Master após firmar um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República. A delação foi homologada em setembro pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, conforme informações divulgadas sobre o caso.

Em seu acordo, o empresário relatou ter feito sete transferências, entre janeiro e setembro de 2025, que somaram US$ 12,333 milhões para o Havengate Development Fund, nos Estados Unidos. Segundo o relato, os repasses foram determinados por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e teriam relação com o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Freixo entregou comprovantes das transferências e mensagens trocadas com Paulo Calixto, gestor fiduciário do fundo e advogado ligado a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Ele afirmou não saber qual foi a destinação final dos recursos depois que chegaram ao fundo; a Polícia Federal apura se todo o dinheiro foi usado na produção do filme ou se teve outra finalidade.

O empresário também declarou ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025 para produzir dinheiro em espécie a pedido de Vorcaro e de pessoas ligadas a ele. De acordo com o depoimento, os valores eram entregues em malas e podiam alcançar entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão por operação.

A conexão com a investigação sobre combustíveis aparece em movimentações envolvendo empresas relacionadas a Freixo. Documentos citados na apuração apontam que a EntrePay recebeu R$ 166,5 mil da Ceopag, fintech associada a investigados no caso, enquanto a Entre Investimentos repassou R$ 620 mil à Quimicolor, empresa mencionada em suspeitas relacionadas a pagamentos envolvendo metanol que teria sido desviado para adulteração de combustíveis.

A existência dessas transações, por si só, não comprova que Freixo integre a organização criminosa investigada. O objetivo da operação é esclarecer a origem, a finalidade e o contexto das movimentações financeiras.

Freixo começou a trabalhar aos 14 anos como office-boy, passou por instituições do mercado financeiro e fundou o Grupo Entre em 2016. Ele também foi alvo da Operação Compliance Zero, que investigou irregularidades relacionadas ao Banco Master. Até a publicação da reportagem, a defesa não havia se manifestado sobre a nova operação.

Fonte: g1

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