O dono do escritório onde Isabelle Caracristi estagiou afirmou à Polícia Civil que a jovem relatou se sentir “sufocada” pela forma como o namorado, João Munhoz Neto, supervisionava seu trabalho. O depoimento foi prestado na quarta-feira (23), em Fortaleza.
Segundo Leandro Vasques, advogado de Rudá Bezerra, Isabelle disse que João não permitia que ela participasse de audiências sozinha nem realizasse atividades profissionais com independência. A jovem teria relatado sentir-se presa e sem desenvoltura no ambiente de trabalho.
De acordo com o advogado, Rudá advertiu João e determinou que ele deixasse a estagiária atuar com mais autonomia. O proprietário também teria mudado a posição dos computadores para reduzir a proximidade física entre os dois.
O relacionamento entre Isabelle e João era conhecido no escritório, conforme o depoimento. João não era sócio da empresa, mas atuava na gestão e na supervisão da equipe, incluindo a distribuição de tarefas para estagiários e funcionários.
Ainda segundo a defesa de Rudá, Isabelle pediu desligamento do escritório em 17 de agosto, alegando motivos pessoais. João teria deixado de administrar as atividades presencialmente e passado a trabalhar de forma remota, além de pedir posteriormente que a jovem fosse readmitida.
Isabelle foi encontrada morta em 13 de setembro, após cair do rooftop de um condomínio no bairro Aldeota, em Fortaleza. A perícia apontou precipitação voluntária, mas a Polícia Civil investiga se João teria praticado violência psicológica ou induzido a jovem ao suicídio.
João está preso preventivamente e é investigado com base nos artigos 122 e 147 do Código Penal, relacionados à indução ou instigação ao suicídio e à ameaça. A defesa afirma que ele colaborou com a investigação e contesta a prisão.
A Polícia Civil ainda analisa celulares, vídeos e depoimentos. O Tribunal de Justiça do Ceará informou que os procedimentos judiciais relacionados ao caso tramitam em segredo de Justiça.
Fonte: g1 Ceará