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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

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ELEIÇÕES

Candidatos ligados a Flávio buscam votos de Lula nos estados

Candidatos ligados a Flávio Bolsonaro fazem acenos a eleitores de Lula para ampliar suas bases e tentar vencer as disputas estaduais no primeiro turno.

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A dez dias do primeiro turno, candidatos ao governo alinhados a Flávio Bolsonaro (PL) intensificam acenos a eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma tentativa de ampliar as chances de vitória já na primeira etapa da eleição.

Em Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e, em menor medida, Sergio Moro (PL), no Paraná, mantêm o apoio a Flávio, mas procuram alcançar eleitores que podem escolher candidatos diferentes para os governos estaduais e para a Presidência.

A estratégia ocorre enquanto as campanhas calculam se conseguem superar 50% dos votos válidos. Depois de consolidar parte do eleitorado de direita, os candidatos buscam avançar entre grupos que não repetem, nas disputas estaduais, o voto destinado ao Palácio do Planalto.

Em Minas Gerais, Cleitinho passou a divulgar encontros com eleitores que declaram voto em Lula. Durante uma passagem por Tupaciguara, no Triângulo Mineiro, o senador abraçou um eleitor petista que afirmou votar nele para governador.

O episódio foi publicado nas redes sociais do candidato e reforçou a imagem de um político de direita capaz de dialogar além da polarização nacional. Segundo pesquisas internas da campanha, cerca de um terço dos eleitores de Cleitinho também declara voto em Lula para presidente.

Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira mostrou Lula com 35% das intenções de voto em Minas, contra 30% de Flávio. Na disputa pelo governo, Cleitinho tinha 37%, enquanto Patrus Ananias (PT) aparecia com 16%.

Na propaganda eleitoral, Cleitinho menciona pouco Flávio e adota um discurso conciliador. Ao mesmo tempo, mantém vínculos com o bolsonarismo mineiro e dividiu agenda com Domingos Sávio, candidato do PL ao Senado, embora o partido tenha Flávio Roscoe como candidato próprio ao governo.

Em São Paulo, a campanha de Tarcísio mapeou o chamado eleitor “TarLula”, que escolhe o governador para o cargo estadual e Lula para a Presidência. A Quaest apontou Tarcísio com 44%, contra 27% de Fernando Haddad (PT), enquanto Flávio e Lula registravam 34% e 31%, respectivamente, na corrida presidencial no estado.

Haddad afirmou que esse comportamento pode refletir mais a rejeição a Flávio do que uma adesão de eleitores lulistas a Tarcísio. Para aliados do governador, independentemente da motivação, esse grupo representa uma reserva de votos para evitar o segundo turno.

Tarcísio reconheceu a existência desse eleitorado e, nesta quarta-feira, participou de uma transmissão ao lado de Flávio, pediu apoio ao candidato do PL e gravou material para o horário eleitoral. A campanha paulista, porém, evita colocar a disputa presidencial no centro da eleição estadual para não afastar eleitores de fora da direita.

No Paraná, Sergio Moro lidera a disputa pelo governo, mas não adotou uma operação semelhante à de Cleitinho e Tarcísio para atrair eleitores de Lula. O ex-juiz mantém associação direta com Flávio e participou de uma transmissão com o presidenciável, Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL).

Moro tenta ampliar sua base principalmente ao se apresentar como continuidade de políticas da gestão de Ratinho Junior (PSD), que apoia Sandro Alex (PSD) e intensificou as críticas ao candidato do PL.

Enquanto Flávio busca concentrar o voto da direita na disputa presidencial, seus aliados nos estados procuram ampliar as bases eleitorais para tentar vencer no primeiro turno.

Fonte: O Globo

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