Relatório de acompanhamento da recuperação judicial aponta que a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo encerrou julho de 2026 com passivo total de aproximadamente R$ 3,5 bilhões.
Entre os principais compromissos estão cerca de R$ 967 milhões em obrigações relacionadas a negociações de jogadores, R$ 715 milhões em empréstimos e financiamentos, R$ 482 milhões em dívidas tributárias e R$ 835 milhões em provisões de repasses futuros.
Ao atualizar o fluxo de caixa de 2026 e 2027, a SAF informou à Administração Judicial que algumas vendas de atletas previstas para o segundo semestre de 2026 não foram realizadas e foram reprogramadas para janeiro e fevereiro de 2027. Segundo a empresa, as receitas foram mantidas nas premissas do fluxo, mas deslocadas no tempo.
A mudança aumenta a necessidade de liquidez no segundo semestre de 2026. A projeção indica que o caixa disponível, estimado em R$ 15,4 milhões em setembro, chegaria a aproximadamente R$ 5,3 milhões no fim de dezembro.
Para o período, a projeção considera cerca de R$ 87,4 milhões em fluxo operacional negativo, parcialmente compensados por R$ 93,7 milhões em financiamentos. A SAF informou que avalia operações de empréstimo no modelo DIP e outras fontes de financiamento para garantir recursos até o início de 2027.
Entre os credores, a GDA Luma aparece com saldo atualizado de aproximadamente R$ 462,8 milhões, dentro de uma base de R$ 564,3 milhões analisada nos contratos de financiamento. O valor representa cerca de 82% do montante considerado.
A GDA está ligada ao projeto de mudança de controle da SAF. A estrutura prevê a conversão de créditos decorrentes de empréstimos em participação societária, mecanismo pelo qual a empresa pretende assumir a condição de nova controladora do Botafogo.
Em relação ao Grupo Eagle, de John Textor, a SAF registrou em junho uma provisão de aproximadamente R$ 916 milhões para perdas com partes relacionadas e um ajuste de R$ 309,6 milhões em valores a receber. Também foi registrada uma provisão de cerca de R$ 951 milhões em obrigações com o Botafogo de Futebol e Regatas.
Após os lançamentos, a conta de valores a receber, que superava R$ 1 bilhão no início do período analisado, terminou julho em aproximadamente R$ 17,4 milhões. O passivo com partes relacionadas caiu para cerca de R$ 54,2 milhões.
Os valores correspondem a ajustes contábeis e não significam necessariamente que as quantias tenham sido pagas. A SAF também informou que não realizou novas operações de empréstimos, financiamentos, mútuos ou aportes de capital nos 30 dias anteriores à análise.
Fonte: O Globo