A SAF do Botafogo encerrou julho de 2026 com passivo total de aproximadamente R$ 3,5 bilhões, segundo relatório de acompanhamento da recuperação judicial publicado em 21 de setembro. Entre os principais compromissos estão obrigações de R$ 967 milhões relacionadas a negociações de jogadores, R$ 715 milhões em empréstimos e financiamentos, R$ 482 milhões em dívidas tributárias e R$ 835 milhões em provisões de repasses futuros.
Na atualização do fluxo de caixa para 2026 e 2027, a SAF informou à Administração Judicial que algumas vendas de atletas previstas para o segundo semestre de 2026 não foram realizadas e foram reprogramadas para janeiro e fevereiro de 2027. De acordo com a empresa, as receitas foram mantidas nas premissas do fluxo, mas deslocadas no tempo.
A mudança aumenta a necessidade de liquidez até o início de 2027. A projeção indica que o caixa disponível, estimado em R$ 15,4 milhões em setembro, pode chegar a aproximadamente R$ 5,3 milhões ao fim de dezembro. O cálculo considera fluxo operacional negativo de cerca de R$ 87,4 milhões, parcialmente compensado por R$ 93,7 milhões em financiamentos.
Para atravessar o período, a SAF informou que estrutura novas operações financeiras, incluindo empréstimos no modelo DIP e outras fontes de financiamento. As entradas previstas com as operações de atletas estão concentradas nos primeiros meses de 2027.
A GDA Luma aparece como principal credora na análise dos contratos de financiamento, com saldo atualizado de aproximadamente R$ 462,8 milhões em uma base de R$ 564,3 milhões examinada. A empresa concentra cerca de 82% desse montante.
A GDA está ligada ao projeto de mudança de controle da SAF, que prevê a conversão de créditos decorrentes de empréstimos em participação societária. O mecanismo pode levar a empresa a assumir a condição de nova controladora do Botafogo.
Em relação ao Grupo Eagle, de John Textor, a SAF registrou em junho uma provisão de aproximadamente R$ 916 milhões para perdas com partes relacionadas e um ajuste de R$ 309,6 milhões em valores a receber. Também foi registrada provisão de cerca de R$ 951 milhões em obrigações com o Botafogo de Futebol e Regatas.
Após os lançamentos contábeis, a conta de valores a receber caiu de mais de R$ 1 bilhão no início do período analisado para aproximadamente R$ 17,4 milhões no fim de julho. O passivo com partes relacionadas recuou para cerca de R$ 54,2 milhões, mas os ajustes não significam necessariamente que os valores tenham sido pagos.
O relatório também aponta que não foram realizadas novas operações de empréstimos, financiamentos, mútuos ou aportes de capital nos 30 dias anteriores à análise. Permanecem elevados os compromissos com jogadores, financiamentos, tributos e repasses futuros.
Fonte: O Globo