A líder oposicionista venezuelana María Corina Machado tentou retornar ao país três vezes em 24 horas, segundo informações divulgadas por sua equipe nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026. As tentativas partiram do Panamá por via aérea e marítima, mas foram frustradas.
A primeira ocorreu na segunda-feira, em uma embarcação que seguiria do Panamá para a Venezuela. Segundo a jornalista Idania Chirinos, a empresa responsável cancelou a viagem após alegar problemas mecânicos.
Na manhã de terça-feira, Machado tentou embarcar em um avião com destino a Aruba, de onde seguiria por mar até a Venezuela. A aeronave não chegou a decolar.
A terceira tentativa ocorreu na tarde de terça-feira, em um voo para Curaçao. O nome da opositora apareceu no manifesto da aeronave com um documento de viagem panamenho, já que seu passaporte venezuelano não está válido.
De acordo com a equipe de Machado, as três tentativas fazem parte de um total de sete bloqueadas nas últimas semanas. Pedro Urruchurtu, assessor de relações internacionais da opositora, afirmou no X que não a deixam voltar ao próprio país.
A presença de Machado no manifesto com um documento panamenho provocou críticas de aliados do chavismo, que interpretaram o episódio como uma possível concessão de nacionalidade. Pessoas ouvidas pelo jornal espanhol El País, porém, disseram que o documento não representa cidadania panamenha.
O episódio ocorreu no mesmo dia em que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Nova York, onde participa da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Machado está no Panamá desde sua última tentativa conhecida de retornar à Venezuela, após um terremoto duplo atingir La Guaira em 24 de junho. Na ocasião, ela embarcou em uma aeronave particular com destino a Curaçao, mas não conseguiu seguir viagem para o país.
A opositora deixou a Venezuela no início de dezembro de 2025, depois de passar mais de um ano e meio na clandestinidade. Ela viajou secretamente para Oslo, onde recebeu o Nobel da Paz.
Fonte: O Globo