Os Estados Unidos e outros 14 países da América Latina e do Caribe pretendem classificar conjuntamente 24 organizações criminosas da região como terroristas, com base no Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), também conhecido como Tratado do Rio. A proposta foi divulgada em comunicado nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
Firmado em 1947 por cerca de 20 países das Américas e do Caribe, o Tiar criou um mecanismo de segurança coletiva sob liderança dos Estados Unidos. O artigo 3º estabelece que um ataque armado contra um país americano deve ser considerado um ataque contra todos os signatários.
O tratado foi acionado em episódios como a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962, a Guerra das Malvinas, em 1982, e os ataques de 11 de Setembro de 2001. Também foi usado em 2019, durante a crise política na Venezuela, para apoiar medidas restritivas contra integrantes do governo de Nicolás Maduro.
Ao longo das décadas, México, Bolívia e Nicarágua deixaram o acordo. Os governos desses países apresentaram razões próprias para a saída, mas pesquisadores associaram as decisões à oposição à influência dos Estados Unidos na região.
Segundo o comunicado dos 15 países que integram o chamado Escudo das Américas, a lista inclui o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, além de organizações criminosas do México, do Equador, da Colômbia e do Peru.
Os governos pretendem solicitar à Organização dos Estados Americanos a criação de um órgão de consulta com base no artigo 6º do Tiar. O mecanismo poderia levar a uma reunião de chanceleres para discutir sanções e restrições de viagem contra as organizações classificadas como narcoterroristas.
Especialistas questionam a estratégia. Todd Robinson, ex-secretário de Estado adjunto dos Estados Unidos para assuntos internacionais de narcóticos e aplicação da lei no governo Joe Biden, afirmou ao New York Times que medidas semelhantes adotadas durante a Guerra às Drogas, nas décadas de 1980 e 1990, não produziram resultados e que organizações criminosas não devem ser tratadas como organizações terroristas.
Fonte: O Globo