A China acelera a construção de centros de dados em regiões rurais, como Ulanqab, na Mongólia Interior, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, discutem a disputa tecnológica e a segurança da inteligência artificial. Xi será recebido na Casa Branca em 24 de setembro de 2026, após chegar a Washington no dia anterior.
Em Ulanqab, conhecida durante anos pela produção de batatas, trabalhadores constroem grandes estruturas destinadas a fornecer capacidade computacional para empresas chinesas de tecnologia. Projetos semelhantes avançam em Ningxia, Gansu e Guizhou, áreas escolhidas pela disponibilidade de terrenos, pelo clima mais frio e pela expansão da geração de energia eólica e solar.
A infraestrutura é considerada estratégica por Pequim para ampliar o uso da inteligência artificial na economia e reduzir a distância em relação aos Estados Unidos. Uma diretriz do governo chinês estabelece que, até 2030, a inteligência artificial deverá estar presente de forma ampla em setores como indústria, ciência, consumo, serviços públicos e governança.
A disputa também envolve o acesso a semicondutores avançados. As restrições impostas por Washington dificultam a compra de chips e equipamentos de última geração pela China, mas empresas chinesas tentam compensar parte da limitação com modelos mais baratos e de código aberto, que podem ser adaptados por usuários, empresas e governos.
O presidente Donald Trump tem rejeitado a ideia de desacelerar a corrida tecnológica por causa dos riscos associados à inteligência artificial. Na semana passada, ele afirmou que quem vencer a disputa pela IA terá uma vantagem decisiva, enquanto Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, defendeu a manutenção das restrições à venda de chips avançados para a China.
Pequim, por sua vez, promove uma proposta de governança internacional que combina maior regulamentação com a expansão de modelos abertos. Em julho, Xi Jinping defendeu cooperação global, padrões comuns de segurança e o compartilhamento de tecnologias de inteligência artificial.
A expansão dos centros de dados também provoca preocupações ambientais e sociais. O consumo de energia e água aumenta em áreas áridas da Mongólia Interior, onde parte da eletricidade ainda é produzida com carvão. Moradores ouvidos pela BBC relataram dúvidas sobre os benefícios econômicos dos projetos, enquanto outros afirmaram que familiares conseguiram empregos nas novas instalações.
A China também investe na formação e na retenção de pesquisadores. Universidades e empresas tentam atrair profissionais que estudaram no exterior, em um momento de maior tensão entre Pequim e Washington e de restrições à circulação de pesquisadores e tecnologias.
Apesar da expansão, a adoção da IA não é uniforme no país. Agricultores de áreas rurais ainda têm pouco contato com a tecnologia e enfrentam problemas econômicos mais imediatos, como o envelhecimento da população, o desemprego entre jovens e a desaceleração do consumo.
Fonte: g1