Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou a aliados que, por ora, não enviará nomes para cargos em agências reguladoras, após o Senado rejeitar a indicação do advogado Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo interlocutores do governo, não há clima para negociações com Davi Alcolumbre, presidente do Senado, que teria articulado a derrota de Messias. A avaliação é de que Lula prefere aguardar uma conversa direta com o parlamentar antes de fazer novas indicações, especialmente em pontos estratégicos, como a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Agência Nacional de Mineração (ANM) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Apesar de o presidente ter indicado que retornará a enviar nomes ao Congresso, assessores admitem que o momento é de maior tensão com o Senado desde o início do mandato. A relação com Alcolumbre, que não se encontrou com Lula desde a posse, permanece distante, com sinais de feridas abertas. Ambos participaram de eventos públicos distintos — Lula na posse do TSE e Alcolumbre em outros compromissos — sem diálogo direto.
Governo teme pelos efeitos da demora na nomeação de titulares, já que há pelo menos 14 posições vagas em órgãos como a Anac, ANM, Anatel e o Banco Central. Na tentativa de diminuir resistências ao nome de Jorge Messias, o Planalto esperava usar esses cargos para costurar apoio com Alcolumbre, estratégia que foi barrada após a rejeição no Senado.
Cronogramas indicam que a prioridade deve ser a indicação de nomes antes das eleições de outubro, incluindo posições no Banco Central, além de tentativas de manter uma postura de disputa política pelo controle dessas indicações, com o objetivo de fortalecer a sua base de cargo na burocracia.
Embora tenha a prerrogativa de formalizar indicações, Lula planeja reencaminhar o nome de Messias ao STF, mesmo com a resistência de Alcolumbre — o que pode aprofundar o atrito entre o Executivo e o Congresso. Analistas sugerem que, neste momento, uma aproximação mais pragmática seja a melhor estratégia para evitar prejuízos à campanha eleitoral.
Para aliados pragmáticos, uma postura de contenção e diálogo minoraria riscos de rachar a relação com o Parlamento. Outros defendem que a resistência deve ser usada como instrumento político, reavivando o discurso de que o Congresso é o inimigo do povo, especialmente em um ano eleitoral.
Fonte: O Globo