O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensificou seus esforços para conter os danos causados pela sua relação com Daniel Vorcaro, empresário ligado ao setor financeiro e envolvido na investigação sobre irregularidades no Banco Master. Em reunião com deputados e senadores do partido, nesta terça-feira, Flávio assegurou que sua ligação com Vorcaro se restringiu ao financiamento do documentário sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, e prometeu transparência nas despesas do projeto.
Durante o encontro, Bolsonaro solicitou que a produtora do filme preste contas detalhadas de todos os custos, além de garantir que o valor investido pelo banqueiro seja separado e colocado à disposição das autoridades brasileiras, caso o filme gere retorno financeiro. Em entrevista coletiva após a reunião, o pré-candidato à Presidência reafirmou esses compromissos e também pediu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master e esclarecer possíveis irregularidades.
O senador também admitiu ter visitado Vorcaro no final de 2025, após sua prisão, mas esclareceu que o contato se limitou às tratativas relacionadas ao filme. Bolsonaro revelou que buscou acudir Vorcaro ao perceber a gravidade da situação, afirmando que, se tivesse sido informado antemão, teria buscado outros investidores para evitar riscos ao projeto.
As declarações de Bolsonaro acontecem num momento de crise na pré-campanha do Partido Liberal, marcada por versões divergentes sobre o financiamento do filme e a relação entre integrantes da família Bolsonaro e Vorcaro. Desde a publicação de mensagens em que Flávio cobrava repasses do banqueiro, diferentes versões sobre a origem dos recursos, contratos e estruturas financeiras têm sido apresentadas por diversos envolvidos no projeto.
Além disso, o caso ganhou novo fôlego com a repercussão de documentos que indicam participação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente deputado federal, na estrutura do financiamento do filme, o que ele nega. A Polícia Federal passou a investigar se parte do dinheiro teria sido usada para custear a permanência de Eduardo nos Estados Unidos, levantando suspeitas sobre o destino dos valores enviados ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas.