O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira que está sendo alvo de uma perseguição, sem mencionar explicitamente as ligações com Daniel Vorcaro, do Banco Master, tornadas públicas recentemente. Em discurso na Marcha dos Prefeitos, o político declarou que há um uso do "aparato estatal" contra ele e criticou o sistema político e judiciário.
"A gente resolve os problemas do Brasil pela política. Estou na política há 24 anos. Tudo que eu quero é um Brasil próspero para minhas filhas e para as de todos aqui presentes. Mesmo com perseguições e o sistema tentando manter as coisas como estão, o Brasil olha para Brasília com nojo, por desrespeito à Constituição, insegurança jurídica e uso do aparato estatal contra adversários políticos", afirmou.
Flávio também dirigiu críticas ao PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e reforçou sua promessa de promover uma anistia ampla aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, incluindo seu pai, Jair Bolsonaro, atualmente de prisão domiciliar após condenação por liderar uma suposta tentativa de golpe.
"A era do ódio vai acabar em 2027. Apoiado por um governo que olhe para o futuro, vamos restabelecer a harmonia entre os Poderes, respeitar a Constituição e garantir que a lei valha para todos. Assim, faremos uma anistia geral aos perseguidos políticos do 8 de janeiro, encerrando a era do PT e promovendo a pacificação no país", declarou.
Mais cedo, após reunião com deputados do PL, Flávio admitiu ter visitado Vorcaro no final de 2025, na casa do empresário em São Paulo, quando ele ainda cumpria regime de prisão domiciliar após sua primeira detenção. A relação veio à tona após reportagem do site Intercept Brasil, que revelou mensagens e áudios indicando negociações entre Flávio e Vorcaro para financiar um filme sobre a trajetória do ex-presidente.
Segundo a investigação, o acordo de financiamento totalizava cerca de R$ 134 milhões, dos quais aproximadamente R$ 61 milhões já foram transferidos.