As filmagens do longa-metragem "Dark Horse", que retrata a facada e a ascensão de Jair Bolsonaro à presidência, foram marcadas por conflitos ideológicos entre a equipe de produção, majoritariamente progressista, e os diretores, alinhados ao bolsonarismo e trumpismo. O roteirista Mário Frias e o diretor Cyrus Nowrasteh lideravam o projeto, que contou com vultosos investimentos.
Participantes relataram ao jornal O GLOBO que a produção impunha restrições ideológicas, como a proibição de roupas vermelhas ou símbolos de movimentos sociais. Em contrapartida, lideranças do projeto exibiam bonés e vestimentas com símbolos como a bandeira americana com fuzis, gerando desconforto na equipe.
Alguns profissionais aceitaram participar do filme apenas por receberem cachês acima da média de mercado. Um relato aponta que uma integrante chegou a perder outro trabalho por sua participação em "Dark Horse", o que a levou a chorar no set.
Um dos episódios de tensão ocorreu em 22 de novembro de 2025, data da prisão de Jair Bolsonaro. Na ocasião, celebrava-se o "rolo 100" (marco de 100 rolos de filme, ou cartão de memória 100 na era digital), uma tradição cinematográfica. Enquanto parte da equipe lamentava a prisão, lideranças compraram champanhes e comemoraram ostensivamente o marco, usando a "desculpa" da celebração do "rolo 100".
O filme, patrocinado por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, preso por acusações de lavagem de dinheiro e outros crimes, teve um orçamento estimado em R$ 62 milhões, superando produções brasileiras indicadas ao Oscar. As filmagens se estenderam por cerca de dez semanas, com equipes de câmera e figurantes em número incomum para produções no Brasil. A produtora Go Up, responsável pelo projeto, não respondeu aos questionamentos de O GLOBO.
Fonte: O GLOBO