A Polícia Federal (PF) aponta que a Secretaria de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro, durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL), operou como um braço do Grupo Refit, conglomerado do setor de combustíveis pertencente ao empresário Ricardo Magro. A informação consta em decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a Operação Sem Refino nesta sexta-feira (15 de maio de 2026).
A operação investiga suspeitas de ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior envolvendo empresas de combustíveis. De acordo com a PF, a Secretaria de Fazenda teria facilitado as operações do Grupo Refit e agido para afastar concorrentes no mercado fluminense.
Investigadores afirmam que o governo estadual, sob as diretrizes de Castro, empenhou a máquina pública em favor do grupo de Magro, dono da Refinaria de Manguinhos. O ex-governador foi alvo de busca e apreensão em sua residência, onde foram recolhidos um tablet e um celular. Sua defesa informou que ele colaborou com a ação.
Ricardo Magro é considerado foragido e teve prisão preventiva decretada, com inclusão na Difusão Vermelha da Interpol. São alvos da operação também o desembargador afastado Guaraci Vianna, o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual, o ex-procurador do estado Renan Saad e um policial civil.
A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas. Mais de R$ 700 mil em espécie foram apreendidos, parte em poder do policial civil.
As investigações integram apurações sobre conexões entre organizações criminosas e agentes públicos no Rio de Janeiro. A Refit negou as irregularidades em nota, alegando que as operações prejudicam a concorrência e que a atual gestão tem regularizado passivos tributários, com pagamentos de R$ 1 bilhão ao Estado do Rio no último exercício.