Uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta sexta-feira (15/05/2026), que tem o ex-governador Claudio Castro como um dos alvos, agitou os bastidores da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A ação federal ocorre em meio às discussões sobre a crise fiscal do estado e os debates internos sobre o orçamento. Deputados classificaram o impacto da operação como uma "bomba" na imagem do presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), em um cenário já marcado por disputas sucessórias e investigações envolvendo aliados do antigo governo.
A operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, cumpriu 17 mandados de busca e apreensão. As investigações apuram supostas irregularidades envolvendo a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. Entre os alvos estão o desembargador afastado Guaraci Vianna, o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador do estado Renan Saad.
Na Alerj, o episódio repercutiu negativamente nas discussões sobre arrecadação e equilíbrio fiscal. O deputado estadual Vitor Bagueira (PDT) lamentou que o estado "vira manchete negativa em todo o país, em uma crise política, moral e financeira interminável". O deputado Luiz Paulo (PSD) considerou a investigação uma "consequência esperada" devido ao histórico da Refit com débitos tributários e acusações de sonegação fiscal. "A Refit é uma devedora histórica do fisco estadual", afirmou.
Luiz Paulo alertou que a ofensiva da PF pode impactar a arrecadação estadual em um momento de fragilidade financeira. "Esse setor de combustíveis é um dos que mais sonegam. Com essa operação, essa prática pode diminuir e o estado arrecadar mais", completou.
O presidente da Alerj, Douglas Ruas, foi atingido indiretamente pela crise. Parlamentares avaliam que Ruas caiu em uma "arapuca" desde que assumiu o comando da Assembleia, enfrentando uma sequência de investigações e exonerações promovidas pelo governador em exercício, Ricardo Couto. Aliados de Ruas consideram que o desgaste se soma ao fracasso de sua tentativa de assumir interinamente o governo estadual após a saída de Castro.
Apesar das dificuldades, parlamentares do PL acreditam que Castro provará sua inocência. No entanto, reconhecem que Ruas enfrentará desafios para consolidar uma eventual pré-candidatura ao governo em 2026, em meio à turbulência política. A busca de visibilidade de Ruas e a necessidade de superar a "bolha negativa" criada pelas operações policiais são pontos cruciais para sua estratégia política. Pesquisas indicam que o eleitorado fluminense ainda desconhece Ruas em parte, o que motiva a busca por maior exposição.
O cenário sucessório para 2026 ainda é incerto, mas Ruas aparece como um nome da direita para a disputa ao governo estadual, embora enfrente altos índices de desconhecimento fora da Região Metropolitana. Mudanças no primeiro escalão do governo estadual são interpretadas como uma reorganização administrativa antes do prazo eleitoral.