O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como um "caso de polícia" a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes financeiras. A declaração foi feita durante visita à fábrica de fertilizantes nitrogenados na Bahia, em Camaçari.
"Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia", disse Lula, em resposta a questionamentos de jornalistas.
A ligação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro veio à tona após reportagem do portal The Intercept Brasil. Segundo a publicação, o senador teria articulado repasses de R$ 134 milhões do banqueiro para o financiamento de um filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Daniel Vorcaro está preso sob suspeita de liderar uma organização criminosa que realizava fraudes financeiras através do Banco Master, que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central no final do ano passado.
A reportagem do Intercept revelou áudios do senador em que ele menciona a necessidade de envio de recursos para "parcelas para trás" e sugere o financiamento do filme. Mensagens de WhatsApp, documentos e comprovantes bancários indicam que parte do pagamento teria ocorrido entre fevereiro e maio de 2025.
As últimas conversas entre Flávio e Vorcaro, segundo a reportagem, datam do início de novembro do ano passado, período em que o Banco Master enfrentava dificuldades. Pouco mais de uma semana depois, o Banco Central decretou a liquidação do banco e a Polícia Federal prendeu o banqueiro.
O filme estaria sendo produzido no exterior, com previsão de lançamento ainda este ano. O apoio financeiro envolveria transferências internacionais de uma empresa controlada por Vorcaro a um fundo nos Estados Unidos gerido por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.
Deputados da base governista apresentaram denúncia à PF e à Receita Federal para apurar possíveis ilegalidades nas transações e se os recursos estariam ligados a propina.
Em sua defesa, Flávio Bolsonaro admitiu ter solicitado o recurso e mantido relação com Vorcaro, mas classificou a questão como privada. "Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet", afirmou o senador, que conheceu o banqueiro em dezembro de 2024, após o fim do governo Bolsonaro.
O parlamentar negou ter combinado vantagens indevidas e acusou o governo Lula de "relações espúrias" com Vorcaro. "Por isso, reitero, CPI do Master já", completou.
Em vídeo divulgado posteriormente, Flávio Bolsonaro reiterou os argumentos e informou que Vorcaro deixou de honrar com as parcelas pendentes do patrocínio, citando um contrato assinado, mas sem apresentar detalhes.
Agência Brasil