O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como um "caso de polícia" a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por suspeita de fraudes financeiras. A declaração foi feita nesta quinta-feira (14) durante visita à fábrica de fertilizantes Fafen, em Camaçari (BA).
"Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia", respondeu Lula a jornalistas.
A investigação apura se Flávio Bolsonaro articulou o repasse de R$ 134 milhões do banqueiro, supostamente para financiar um filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso veio à tona em reportagem do portal The Intercept Brasil.
Daniel Vorcaro está preso sob a suspeita de liderar uma organização criminosa que aplicava fraudes financeiras através do Banco Master, que teve sua liquidação decretada no fim do ano passado pelo Banco Central.
O senador admitiu ter pedido o recurso e mantido contato com Vorcaro, mas negou irregularidades. "Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet", afirmou Flávio Bolsonaro em nota divulgada após a publicação da reportagem.
Flávio Bolsonaro declarou ter conhecido Vorcaro em dezembro de 2024, após o fim do governo Bolsonaro, e quando não havia suspeitas públicas contra o banqueiro. Segundo o senador, o contato foi retomado devido a atrasos no pagamento do patrocínio para o filme.
"Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem", disse o senador, que também acusou o governo Lula de ter "relações espúrias" com Vorcaro.
Deputados federais da base governista apresentaram denúncia à PF e à Receita Federal para apurar possíveis ilegalidades nas transações financeiras.