O dólar atingiu R$ 5,06 nesta sexta-feira, um avanço de 1,6%, impulsionado por decisões de política monetária no Japão e pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio. A moeda brasileira foi a que mais se desvalorizou frente ao dólar entre as 31 principais moedas globais no dia.
A alta dos juros no Japão, saindo de patamares historicamente negativos, desfaz operações de 'carry trade'. Nesse tipo de investimento, players tomam dinheiro emprestado em países com juros baixos, como o Japão, para aplicar em economias com taxas mais altas, como o Brasil. O retorno do capital japonês para o país asiático aumenta a pressão sobre moedas como o real.
Títulos do governo japonês com vencimento em 10 anos atingiram o maior nível desde 1999, a 2,37%, após o índice de preços ao produtor (PPI) de abril registrar alta de 4,9%. Especulações de que o Banco do Japão pode elevar sua taxa básica de juros, atualmente em 0,75%, alimentaram o movimento.
O conflito no Oriente Médio também contribuiu para a desvalorização do real. A falta de avanços na resolução do impasse no Estreito de Ormuz elevou o preço do barril de petróleo Brent para US$ 109. O estreito é crucial para o escoamento de 20% do petróleo global. O aumento nos preços de energia pressiona a inflação e pode levar a juros mais altos globalmente, afetando o ciclo de cortes no Brasil.
A instabilidade política interna, com a divulgação de áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, também gerou desconfiança e contribuiu para a fuga de investidores para o dólar, considerado um porto seguro em momentos de incerteza.