O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou nesta quinta-feira (15) que dinheiro pedido ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse" (o Azarão) tenha beneficiado seu irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro. Segundo Flávio, os recursos foram repassados por meio do fundo Havengate Development Fund LP, gerido pelo advogado de Eduardo e sediado no Texas, nos Estados Unidos.
"Todos os recursos aportados nesse fundo, específico para produção do filme, foram integralmente utilizados para fazer o filme", declarou o senador em entrevista à Globo News. A Polícia Federal (PF) investiga se o dinheiro foi de fato usado para a produção cinematográfica ou se serviu apenas como fachada para a remessa dos valores.
Conversas divulgadas pelo site Intercept Brasil na quarta-feira (14) mostram Flávio Bolsonaro pedindo ao empresário o pagamento de "parcelas" para financiar um filme biográfico sobre o pai, Jair Bolsonaro, a ser lançado antes das eleições de outubro.
Flávio disse que o advogado de Eduardo é quem gerencia o fundo e que ele é o "advogado e gestor do filme". "Esse dinheiro foi para um fundo exclusivo para a realização do filme", reforçou. Documentos americanos indicam que o escritório de um advogado de Eduardo Bolsonaro atua como "agente legal" do fundo.
Eduardo Bolsonaro mudou-se para os Estados Unidos no início de 2025 e é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por supostamente buscar sanções econômicas contra o Brasil e ministros da Corte.
O senador afirmou que não tinha conhecimento de irregularidades envolvendo Daniel Vorcaro. Ele alegou que, ao perceber que Vorcaro não honraria as parcelas, buscou outros investidores. "Não tem absolutamente nada de errado em captar investimento privado para um filme, uma obra cultural", justificou.
Apesar das suspeitas sobre Vorcaro serem públicas desde o início de 2025, Flávio disse que cobrou as parcelas para finalizar o filme. "Ninguém tinha ideia que era assim. Não era sabido, ele era acusado e eu torcia para que ele esclarecesse qualquer coisa de errado que tivesse", afirmou.
Ele admitiu ter sugerido um encontro entre Jair Bolsonaro e Daniel Vorcaro, mas que o encontro não ocorreu. Flávio disse que tratava Vorcaro como "um investidor de um filme" e não sabia que ele era "um banqueiro enrolado". A única relação que teve com ele foi "esse filme", segundo o senador.
Flávio atribuiu a falta de informações anteriores sobre a relação com Vorcaro a uma cláusula de confidencialidade no contrato de financiamento do filme. "Não poderia descumprir uma cláusula contratual, isso gera multa, gera exposição dos investidores", explicou.
O senador também foi questionado sobre mensagens envolvendo o senador Ciro Nogueira (PI) e Daniel Vorcaro. Flávio disse que citou o nome de Ciro como uma "possibilidade de candidato a vice" como "um gesto a um presidente de partido importante", mas que Ciro "vai precisar se explicar".
O Globo