Documentos obtidos pelo Intercept Brasil revelam que Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado, firmou contrato como produtor-executivo do filme "Dark Horse", uma produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A função de Eduardo, segundo o contrato, seria a captação de recursos. O acordo, datado de 30 de janeiro de 2024, também lista o deputado Mário Frias como produtor-executivo e a empresa GoUp, sediada nos EUA, como produtora.
O contrato estipulava que os produtores-executivos se envolveriam em "considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme", além da preparação de documentos para investidores e da busca por recursos. Eduardo nega ter feito a gestão de recursos do longa, classificando o acordo como "velho" e afirmando que o compromisso foi firmado com a produtora antes do surgimento de um grande investidor.
O caso ganha contornos investigativos com a Polícia Federal apurando se um fundo sediado no Texas, nos EUA, gerido por um advogado de Eduardo, foi utilizado para financiar o ex-deputado em sua moradia no exterior. O valor de R$ 61 milhões foi aportado neste fundo por Daniel Vorcaro, banqueiro que teria negociado investimentos para o filme. Eduardo nega veementemente ter movimentado recursos deste fundo.
Eduardo alega ter reservado US$ 50 mil do próprio bolso para o início do projeto, valor que teria sido devolvido pela produtora GoUp e que não passou pelo fundo do Texas. Ele afirma que saiu da função de produtor-executivo quando a captação de recursos passou a ser feita pelo fundo americano, alegando que a estrutura do projeto mudou.
A divulgação de detalhes sobre o financiamento do filme já havia abalado a pré-campanha de Flávio Bolsonaro, irmão de Eduardo, após a publicação de áudios e mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro sobre cobranças por recursos.
O senador Flávio Bolsonaro, em entrevista à CNN, declarou nesta sexta-feira (16) que Eduardo "não recebeu nem um centavo" dos valores enviados para a produção e negou qualquer participação do irmão na gestão dos recursos. Segundo Flávio, investidores privados aportavam dinheiro em um fundo nos EUA, e a produtora executava os pagamentos. Ele também afirmou que Eduardo teria colocado dinheiro próprio no projeto e que sua atuação nos EUA aproximou o filme de profissionais de Hollywood.
Na quinta-feira (15), Eduardo já havia negado o recebimento de recursos do fundo, afirmando que "não exerceu qualquer posição de gestão ou emprego" na estrutura financeira ligada ao filme e que apenas teria cedido seus direitos de imagem.