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sábado, 17 de outubro de 2026

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ECONOMIA

Trabalhador autônomo lidera em jornada semanal

Trabalhadores autônomos lideram em jornada semanal, com média de 45 horas, superando empregados formais e públicos. Dados do IBGE mostram que falta de delegação de tarefas impacta carga horária dos autônomos.

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Trabalhador autônomo lidera em jornada semanal

Trabalhadores por conta própria no Brasil enfrentam as maiores jornadas semanais, com uma média de 45 horas. Esse número ultrapassa em mais de cinco horas o tempo dedicado por empregados do setor público e privado, que registram, respectivamente, 39,6 e 39,2 horas semanais. Empregadores trabalham, em média, 37,6 horas semanais.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (14). As informações referem-se ao primeiro trimestre de 2026.

A pesquisa do IBGE abrange pessoas com 14 anos ou mais e considera todas as modalidades de ocupação, incluindo trabalhos formais e informais.

Segundo o IBGE, o Brasil conta com 25,9 milhões de trabalhadores autônomos, representando 25,5% da população ocupada no período. Motoristas e entregadores de aplicativo são exemplos comuns dessa categoria.

A Pnad também identificou a categoria de 'trabalhador auxiliar familiar', que ajuda em negócios familiares sem remuneração. Essa classe registrou uma jornada média de 28,8 horas semanais.

O analista William Kratochwill explica que empregados formalizados tendem a respeitar os limites legais de jornada devido a proteções trabalhistas. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) define a jornada máxima semanal em 44 horas, com oito horas diárias e a possibilidade de até duas horas extras. Exceções, como a escala 12x36 para profissionais de saúde, também existem.

Kratochwill ressalta que o padrão legal influencia o mercado, mesmo para trabalhadores não formalizados. Contudo, essa norma não se aplica a autônomos e empregadores. “Se quiser trabalhar 24 horas por dia, ele pode, não tem nada que o impeça, a não ser a sua própria limitação”, afirma.

Para empregadores, a possibilidade de delegar tarefas pode explicar a jornada menor. Já os trabalhadores autônomos não têm essa opção. “Como não tem a quem delegar, provavelmente tem que trabalhar muito mais horas por semana para alcançar seus objetivos”, conclui o analista.

As divulgações do IBGE ocorrem em um momento de debates nacionais sobre a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e o fim da escala 6x1 sem redução salarial. O Congresso Nacional discute propostas de emenda à Constituição e um projeto de lei do governo sobre o tema, com acordo recente para aprovação de propostas que estabelecem a escala 5x2.

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