Entre 1958 e 1970, período em que o Brasil conquistou três títulos mundiais, os clubes paulista e carioca foram os pilares da Seleção Brasileira. Um levantamento do GLOBO, que considerou convocações, jogos, gols e formação de atletas, aponta o Santos como o maior contribuinte neste período, impulsionado pela genialidade de Pelé.
O estudo, que busca entender a relação entre clubes e o desempenho da Seleção em Copas, revela que o Botafogo teve forte influência no início da vitoriosa jornada, especialmente em 1958 e 1962. Na Copa de 1958, o time carioca liderou o ranking ao lado do Vasco, com uma estética de jogo que remetia ao alvinegro.
Em 1962, apesar da lesão de Pelé, o Botafogo continuou no topo da pontuação com craques como Garrincha e Nilton Santos. No entanto, o Santos, com suas excursões internacionais e a ascensão de Pelé, começou a ganhar força.
A mudança de escala do futebol brasileiro se refletiu na Seleção. O Santos, antes coadjuvante, assumiu a liderança em 1966 e explodiu em 1970. Na Copa do México, a equipe canarinho parecia uma extensão da Vila Belmiro, com Pelé no centro e outros craques santistas como Clodoaldo, Carlos Alberto Torres, Joel Camargo e Edu.
Com a conquista do tricampeonato em 1970, o Santos ultrapassou o Botafogo no ranking. Se o Botafogo ensinou o Brasil a ganhar Copas, o Santos ensinou o mundo a reconhecer o futebol brasileiro.
O levantamento também indica o surgimento de novas forças, como o Cruzeiro, e a lenta entrada do futebol do Sul no cenário nacional, embora o eixo Rio-São Paulo ainda dominasse a Seleção. O próximo capítulo analisará o período de 1974 a 1990, quando a hegemonia de clubes sobre a Seleção se diluiu.