Dois navios conhecidos como petroleiros "fantasmas", Olina e Galaxy 3, retornaram à Venezuela carregados com petróleo quase cinco meses após terem recebido a carga. O inusitado retorno expõe as profundas dificuldades enfrentadas pelo país para reerguer sua indústria petrolífera, afetada por anos de comércio ilícito e sanções internacionais.
Os navios, que deveriam ter destinos como Cuba e China, mercados que mantiveram a compra de petróleo venezuelano mesmo sob sanções, agora devolvem seus carregamentos. O Olina teve sua viagem interrompida por forças americanas no Caribe, sendo devolvido à Venezuela como parte de uma estratégia dos EUA para controlar as vendas de petróleo do país sul-americano. A embarcação descarregou 713 mil barris nesta quinta-feira.
O Galaxy 3 devolveu quase 1 milhão de barris na última semana, permanecendo retido na Venezuela desde o final do ano passado. Outras duas embarcações, Romana e MS Melenia, também seguem retidas no país desde dezembro.
Apesar do cenário, os Estados Unidos registraram em março o maior volume de importação de petróleo venezuelano desde o início de 2019, com 588 mil barris por dia. Durante sete anos de sanções rigorosas, a estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA) utilizou uma frota de navios "fantasmas", que desligavam seus rastreadores, para driblar as restrições e exportar para a Ásia, dependendo de insumos do Irã e da Rússia para o refino.
Fonte: O Globo