O Banco do Brasil (BB) divulgou nesta quarta-feira (13) um lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, uma queda de 54% em relação ao mesmo período do ano anterior. A principal causa da redução foram as perdas com a inadimplência no crédito rural, que aumentaram significativamente.
Diante do cenário desafiador, o banco também revisou para baixo sua projeção de lucro para todo o ano de 2026, esperando agora entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões, ante a estimativa anterior de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões. O aumento na provisão para perdas, que saltou para R$ 16,8 bilhões, reflete a elevação da inadimplência nas operações com produtores rurais, que atingiu 6,22% da carteira rural, um aumento de 3,5 pontos percentuais em 12 meses.
O setor agropecuário tem enfrentado dificuldades desde a quebra da safra de soja em 2024, após um recorde em 2023, o que levou a um aumento nas recuperações judiciais entre produtores rurais. A rentabilidade do banco, medida pelo ROE, também caiu de 16,7% para 7,3% em 12 meses.
Para mitigar os efeitos da crise, o BB informou que reforçou mecanismos de cobrança e renegociação de dívidas, com R$ 37,9 bilhões renegociados e mais de 73 mil operações repactuadas, beneficiando cerca de 25,5 mil produtores. O banco também ampliou o uso de garantias e ações judiciais para recuperação de crédito.
Apesar dos desafios, a carteira total de crédito do banco cresceu 2,2% em um ano, alcançando R$ 1,3 trilhão, com destaque para o segmento de pessoas físicas impulsionado pelo crédito consignado. Os ativos totais encerraram o trimestre em R$ 2,6 trilhões, e o patrimônio líquido atingiu R$ 194,9 bilhões.
Fonte: Agência Brasil