O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou nesta quinta-feira (15/05/2026) que o dinheiro pedido ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse" (o Azarão) tenha beneficiado seu irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro. Em entrevista à Globo News, Flávio afirmou que os recursos foram direcionados ao longa por meio do fundo Havengate Development Fund LP, gerido pelo advogado de Eduardo e sediado no Texas, nos Estados Unidos. "Todos os recursos aportados nesse fundo, específico para produção do filme, foram integralmente utilizados para fazer o filme", declarou o senador.
A Polícia Federal (PF) investiga se o dinheiro foi de fato usado para a produção cinematográfica ou se serviu como fachada para a remessa de valores. O site Intercept Brasil divulgou na quarta-feira (14/05/2026) conversas entre Flávio e Vorcaro onde o senador pede ao empresário o pagamento de "parcelas" para financiar um filme biográfico sobre o pai, a ser lançado próximo à eleição de outubro.
"Para colocar estrutura como essa, tem que contratar um advogado, de confiança do Eduardo Bolsonaro, alguém que cuidou do seu processo de green card. Está dentro do contexto do filme. Ele é advogado e gestor do filme", explicou Flávio, reforçando que o dinheiro foi para um fundo exclusivo para a realização do longa. Documentos americanos indicam que o escritório de um advogado de Eduardo Bolsonaro atua como "agente legal" do fundo.
Eduardo Bolsonaro mudou-se para os Estados Unidos no início de 2025 e responde a um processo no Supremo Tribunal Federal (STF) por supostamente buscar sanções econômicas contra o Brasil. Flávio Bolsonaro também disse não ter conhecimento de irregularidades envolvendo Vorcaro, apesar de mensagens trocadas na véspera da primeira prisão do ex-banqueiro em novembro de 2025.
"A partir do momento que acontece algo mais grave e eu percebi que ele não ia honrar as parcelas do contrato, eu fui buscar outros investidores. Não tem absolutamente nada de errado em captar investimento privado para um filme, uma obra cultural", justificou o senador, mesmo diante de suspeitas públicas sobre Vorcaro desde o início de 2025.
O senador admitiu ter sugerido um encontro entre Jair Bolsonaro e Vorcaro, mas afirmou que o ex-presidente não compareceu. Flávio declarou que tratava Vorcaro como um "investidor de um filme" e não sabia de suas supostas pendências. A falta de comunicação anterior sobre a relação com Vorcaro foi justificada pela cláusula de confidencialidade do contrato de financiamento do filme.
Flávio também foi questionado sobre mensagens envolvendo o senador Ciro Nogueira (PI) e Vorcaro. O senador do PL afirmou que citou o nome de Ciro como uma possibilidade de vice em um "gesto a um presidente de partido importante", mas que ele precisará se explicar sobre as acusações.
< Fonte: O Globo