A taxa de desocupação de pessoas pretas atingiu 7,6% no primeiro trimestre de 2026, 55% superior à de pessoas brancas, que registraram 4,9%. O dado, divulgado nesta quinta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, revela uma disparidade persistente no mercado de trabalho brasileiro.
A diferença entre as taxas de desemprego de pretos e brancos é a maior desde o segundo trimestre de 2020, quando a disparidade chegou a 69,8% no auge da pandemia de covid-19. A pesquisa iniciada em 2012 mostrava uma diferença de 44,8%, indicando um agravamento da situação ao longo dos anos.
A análise também aponta desvantagens para pessoas pardas, com taxa de desemprego de 6,8%, 38,8% maior que a de brancos. A informalidade também afeta desproporcionalmente pretos e pardos. A taxa de informalidade nacional foi de 37,3%, sendo 32,2% para brancos, 41,6% para pardos e 40,8% para pretos.
Para o analista da pesquisa, William Kratochwill, a disparidade é "algo estrutural", podendo estar ligada a fatores como nível de instrução e região de moradia, além da cor da pele. Ele ressalta a necessidade de estudos mais aprofundados para determinar as causas exatas.
No comparativo por gênero, o desemprego feminino (7,3%) foi 43,1% maior que o masculino (5,1%) no mesmo período. A informalidade entre homens (38,9%) também superou a das mulheres (35,3%).
Em relação à idade, jovens de 14 a 17 anos apresentaram a maior taxa de desocupação (25,1%), enquanto pessoas com 60 anos ou mais registraram a menor (2,5%).
Fonte: Agência Brasil